“Sempre à Coca” saúda respeitosamente (temos que ter cuidadinho com este tipo de gente) o engenheiro Belmiro de Azevedo, pelos esclarecimentos prestados aos portugueses, em entrevista ao semanário “Expresso”, sobre o Primeiro-Ministro do Presidente da República, Santana Lopes.
Com a frontalidade e coragem próprias de quem não corre perigo de perder o emprego por dizer o que lhe vai na alma (liberdade de expressão de pensamento, segundo a Constituição da República ainda em vigor), o engenheiro teceu as seguintes considerações, sobre o Primeiro-Ministro do Presidente da República, Santana Lopes: “Este regente distrai à brava a oposição, promete e despromete todos os dias a mesma coisa, o que é típico do “entertainer” e não tem nenhuma capacidade para servir o país”.
Convidado a discorrer sobre Marcelo Rebelo de Sousa, o engenheiro, homem habituado a topá-los à légua, garantiu: “É um “entertainer”, não poderia ser primeiro-ministro”.
Percebe-se que o engenheiro tem plena consciência de que Portugal se transformou numa permanente sessão do “Levanta-te e Ri”, onde cada medida governamental assume o estatuto de anedota pindérica, cada declaração ministerial é um hilariante desconchavo, cada falsa promessa faz corar de vergonha o mais empenhado padre de paróquia em vias de extinção.
Eles entretêm-nos: o Primeiro-Ministro do Presidente da República, o Castelo Branco (sem ofensa para o maior Escritor da língua portuguesa), o projecto de ministra da “Educação”, o inenarrável Avelino Ferreira Torres, o inconcebível Bagão Félix (tudo acontece à Igreja Católica e ao Benfica), a platinada Marisa Cruz, o frenético Rui Gomes da Silva, o lacado José Veiga, o beato Portas (Paulo), o elevadíssimo Quim Barreiros, o untuoso Alberto João Jardim, a grande educadora Bobone, o “colonizado” (de água de colónia) Mexia, o irresponsável (sem ofensa para os irresponsáveis) Pinto da Costa… e mais as fátimas felgueiras, os isaltinos morais, os valentins loureiros, os vales e azevedos…
Depois do xarope “Mateus Rosé”, do vinho do Porto, da cortiça, dos moldes e dos jogadores de futebol, eis-nos em condições de exportar “entertainers”.
Engenheiro amigo/”Sempre à Coca” está consigo!
Abébia de Platina para a jornalista Ana Sousa Dias, recentemente galardoada com o Grande Prémio Gazeta de Jornalismo. Uma gota de água pura, no imenso pântano da alegada Comunicação Social.
Abébia da Incontinência (verbal) para o Procurador-Geral da República, Souto Moura, magistrado que se tem distinguido por pensar o que não deve e por dizer o que pensa.
“Sempre à Coca” confessa-se à beira da desistência.
A coragem vai-se mantendo e o ímpeto está menos mal. Porém, a incapacidade é grande quando se trata de tentar compreender esta coisa em que se transformou ex-Portugal, uma vez gerido por um grupo de gente desconexa injustamente acusada de “Governo”.
A “estabilidade” imposta pelo Presidente da República (a “nossa” Constituição concede ao PR o privilégio de inventar “governos” definitivos, não legitimados por eleições democráticas) mergulhou as nossas vidas num autêntico pesadelo de consequências imprevisíveis.
Ninguém acredita em ninguém. Ser português é um penoso exercício de resistência, pelo menos para os que querem sobreviver com mínima dignidade moral, social e intelectual.
A nobreza da prática política ideológica (como será possível viver sem ideias e sem ideais?) deu lugar ao poder de corredor, de vão de escada, da “Quinta dos Famosos”, da conferência de imprensa à hora de ponta, do conluio no “T-Club”, do nepotismo na “Casa do Castelo”, do compadrio no local de trabalho, do comadrio na reunião do condomínio, da cunha nos Passos Perdidos, do “pedido” num corredor do Terreiro do Paço, da “gratificação” no átrio de uma autarquia…
A honradez, a solidariedade, a competência, o mérito, a tolerância, a lealdade…já foram. Tudo isso são coisas de tansos, líricos, velhos e similares!
Quem elegeu Lopes ou Portas (o Paulo)? Quem escolheu Bagão ou Álvaro Barreto? Quem votou em Telmo Correia ou Nobre Guedes? Quem sancionou Bustorff ou Aguiar Branco?
A democracia portuguesa atravessa um grave período de abastardamento. O “manobrismo” partidário e a desconfiança instalaram-se, como não há memória, entre as várias instâncias de poder e os diversos órgãos de soberania.
À “estabilidade” anunciada pelo Presidente da República, sobrepôs-se o caos criado por um “Governo” de gente desarticulada, cujos elementos intrigam, se contradizem e desmentem diariamente, perante a incredulidade dos portugueses.
Será possível prolongar esta desesperante agonia por muito mais tempo?
“Sempre à Coca” está convicto de que o Presidente da República não dorme. O cidadão (pelo menos esse!) Jorge Sampaio deve ser, nesta altura da sua exemplar existência, a personificação do remorso. Oxalá actue a tempo e conforme a legitimidade que democraticamente lhe foi conferida pelos portugueses. Não há nada pior do que viver com remorsos.
SUPER ABÉBIA DE PLATINA para o realizador de cinema norte-americano Michael Moore, por ser capaz de narrar factos com rigor e ironia. Quem não aprecia a verdade considera Michael Moore “demagogo”. Viva o “demagogo” Moore!
“Salvado, s. m. Ant. Aquele que dava ou se expunha à prova de salva, para mostrar terminantemente estar isento de culpa ou crime. || Liberto, salvo || Pl. Tudo aquilo que escapou de uma catástrofe, especialmente de um incêndio ou de um naufrágio. || Mil. Designação, em campanha, de todo o material aproveitável, recuperável, depois do seu primeiro emprego”.
Grande Dicionário da Língua Portuguesa, António Morais da Silva.
“O nosso Santana Lopes é melhor do qu`o deles”.
Alegado militante de base do PS, sobre a candidatura de Sócrates a secretário-geral do partido.
“Eu não sou igual a Lopes. Ele é que é igual a mim!”
Alegado Sócrates, na alegada modalidade de alegado candidato a secretário-geral do PS.
“Ele só pensava no “Big Brother”!”
Teresa Caeiro, alegada ex-“namorada” de Piet-Hein (produtor de televisão e holandês).
“Zij dacht dat van Gogh een speler van Ajax was”.
Piet-Hein, holandês e alegado ex-“namorado” de Teresa Caeiro.
Tradução: “Ela julgava que o van Gogh era um jogador do Ajax!”
Recolha de citações patrocinada por “Cassetes Octávio Lopes & Lopes, Import/Export News, S.A.”
Na compra de uma cassete “Octávio”, você recebe um mini-compact gravador de bolso, que lhe permite recolher, escutar, seleccionar, truncar, tirar de contexto e divulgar, com toda a fidelidade, conversas “ao vivo”, declarações “off the record”, chamadas telefónicas, conferências, seminários, workshops…
“Cassetes Octávio, a memória de um alegado passado, para melhor chafurdar no futuro”.
“Sempre à Coca” está de férias. Porém, sempre à coca! Para não perder a mão (na escrita, parar é falecer), seguem junto umas quantas citações plenas de conteúdo, profundidade e nobreza de “carácter”.
“Não vou desistir no Governo, tal como não desisti na oposição, enquanto não fizer de Portugal um País avançado”.
Durão Barroso, 11/03/2002
“Aquilo que está em causa em 17 de Março é saber se o governo deve ser de quatro meses ou de quatro anos”.
Durão Barroso, 15/03/2002
“Mais importante do que qualquer partido é Portugal (…) Portugal pode contar comigo”.
Durão Barroso 15/03/2002
“Pelo meu lado, farei tudo o que estiver ao meu alcance para dar a Portugal uma situação de estabilidade e de segurança”.
Durão Barroso, 17/03/2002
“O desafio é dizer as coisas certas nos momentos adequados”.
José Sócrates, há alguns meses, quando aguardava o “momento adequado”.
“O desafio é não dizer coisas desadequadas nos momentos incertos”.
José Sócrates, algures em 2008, quando desistir de ser Primeiro-Ministro.
* Citações para fazer inveja ao meu amigo e destacado frequentador de “Abébia Vadia” Eduardo Graça.
ABÉBIA “apesar de tudo ainda há gente séria”, para o eterno, lúcido e singular lutador Manuel Alegre.
ABÉBIA “ando a dormir mal porque não tenho a consciência tranquila”, para Jorge Sampaio, PR de Portugal democraticamente eleito pela maioria dos portugueses que nele acreditaram.
“Sempre à Coca” reflecte, desde há alguns dias, sobre a preocupação manifestada pelo ilustre socialista José Lello, relativamente à “incontinência verbal” de Ana Gomes, que ousou (ficou-lhe do MRPP ousar lutar, ousar vencer) criticar com veemência a incompreensível decisão do PR, Jorge Sampaio, oferecer um Governo ao PSD.
Ficámos a saber que o cuidadoso Lello é um empenhado praticante da obstipação verbal. Digamos que estaremos em presença de alguém politicamente obstipado. Lello defenderá, porventura, um antiquíssimo princípio segundo o qual “a política é a arte de mentir com convicção”. Neste particular, convenhamos que, nos últimos anos, “convicção” é o que não tem faltado à nossa governação…
“Sempre à Coca” declara-se simpatizante de Ana Gomes e respectiva “incontinência”.
Ana Gomes abraça causas, fala também com o coração, emociona-se, resmunga, incomoda “lellos” e colaterais, diz o que uma imensidão de gente pensa, mas não revela por “decoro”, falta de coragem ou obstipação política.
Ela é, portanto e felizmente, destemida, incorrecta, desbragada, frontal, libertária, “incontinente”…
Em definitivo, “Sempre à Coca” condena a obstipação de Lello, enaltece e recomenda a “incontinência” verbal de mulheres como Ana Gomes, Helena Roseta, Odete Santos, Maria José Morgado… Elas são, entre outras, herdeiras honradas e legítimas da saudosa e fantástica praticante de “incontinência” Natália Correia!
Abébia “sempre tive facilidade em pensar uma coisa e dizer outra”, para o discurso de entronização do mais recente Primeiro-Ministro de Portugal.
Abébia “sempre sonhei ser Ministro do Mar”, para o ministro que é ministro de qualquer coisa sem saber.
Abébia “quando estiver de férias na Indochina controlo o Governo por videoconferência”, para o PR, Jorge Sampaio
“Sempre à Coca” declara-se militantemente solidário com o Presidente da República, Jorge Sampaio.
Ao invés da esmagadora maioria dos portugueses e de uma escassa minoria de articulistas, analistas, actuais e ex-intelectuais de esquerda, de direita, de centro, católicos, protestantes, cavaquistas, guterristas, gonçalvistas, ex-sampaistas e Ana Gomes, “Sempre à Coca” está com o Presidente da República.
É que, tanto quanto nos fomos apercebendo ao longo dos anos, o nosso Presidente é um homem consciencioso, equilibrado, justo, preocupado com os fracos, atento aos necessitados. Ele tem estado no lado certo da vida, junto dos que buscam o melhor para o maior número, dos que sonham com menor desigualdade entre os homens, dos que convivem mal com o abuso, a soberba e a arrogância.
Assim sendo, não há-de ter sido fácil ao nosso Presidente oferecer o Poder aos sucessores de quem, em apenas dois anos, permitiu um aumento assustador do número de desempregados (de 100 mil para meio milhão), encerrou 800 escolas, engrossou as listas de espera para intervenções cirúrgicas (de 115 mil para 160 mil), transformou os funcionários públicos numa espécie de marginais perseguidos pela Justiça, premeditou um “Código do Trabalho” que legaliza regimes de autêntica escravatura e impunidade patronal…
“Sempre à Coca” sabe que o nosso Presidente será incapaz de, directa ou sub-repticiamente, pactuar com os autores de uma política causadora de danos à democracia. Pelo menos à democracia formal.
Ao optar pela legalidade burocrática de meia dúzia de poderosos, em detrimento da legitimidade democrática de eleições, o nosso Presidente fê-lo, certamente, na convicção de que poderá continuar a contar com o apoio implícito de milhões de portugueses masoquistas.
Desde há dois anos que vivemos num País sem sentido. Preparemo-nos, agora, para viver mais dois anos num País também sem esperança.
Mas sob a vigilância atenta, pedagógica (o povo há-de aprender!) e intransigente do nosso Presidente!
Abébia de Platina, de imenso respeito e saudade, para Maria de Lourdes Pintassilgo.
Abébia de Ouro para Ferro Rodrigues. A História, objectiva e desapaixonada, recordá-lo-á pela coerência e verticalidade de carácter.
Abébia “como é possível que isto nos aconteça ao cabo de 30 anos de democracia”, para o paciente e bom povo português.
Viscolente e repeloso *
Invertebrado de origem
Alforreca praticante
Urticária feita gente
Mente com a verdade
Com todos os dentes que tem
Com ademanes de amiba
Alvar tosco e untuoso
Viscolente e repeloso *
Tem andamento canejo
Sorriso camaleónico
Calvície sub-reptícia
E séquito cacarejante.
Moribundo faz-se vivo
Para enganar os incautos
Os fracos e os ignorantes
Viscolente e repeloso *
Sobrevive na intriga
Faz da mentira certeza
Porque odeia a igualdade.
Mesmo pútrido e fétido
Será sempre rastejante
Insolente contumaz
Espécie de ser oleoso
Viscolente e repeloso *
Invoca deus em vão
É a anti-vida!
É o complexo de inferioridade da Humanidade!
*Versão disléxica de viscoso e repelente
Abébia Finjo que Penso, logo Finjo que Existo, para o ainda ministro Paulo Portas.
Abébia Um Dia Serei tão Considerado como o Alberto João Jardim, para o ainda ministro Paulo Portas.
Abébia de Ouro para Maniche, pela seguinte constatação em conferência de Imprensa: “O País andava triste, algo desconfiado”.
“Sempre à Coca”, tal como todo o praticante da desgastante arte de ser português, tem qualquer coisa de esquizóide. Nesta disfunção do foro psíquico, euforia e depressão sucedem-se em catadupa e a velocidade estonteante.
Por exemplo: à alegria provocada pela debandada de Durão Barroso, sobrepôs-se a neurose motivada pela hipotética chegada a S. Bento de Santana Lopes. Tudo nos acontece!
Após dois anos de caos meticulosamente estabelecido em sectores fundamentais da sociedade (entre os mais atingidos encontram-se a saúde, a educação, o emprego e a segurança social), eis-nos confrontados com o “golpista” Lopes, segundo a designação que lhe é atribuída comummente por correligionários insignes.
E como um mal sempre se faz acompanhar, “Sempre à Coca” teme pela renitente persistência de Portas (Paulo) que, tudo indica, se prepara para uma recaída, desta vez na área dos Negócios Estrangeiros. O moço merece, sobretudo se se tiver em conta a empolgante política cometida no Ministério da Defesa (esta aqui é mesmo brejeira e por isso dedicada ao Porfírio), por contraposição à sedosa actuação de Teresa Gouveia.
“Sempre à Coca” confessa-se muito e benevolente apreciador de Teresa, bela representante da mulher e da diplomacia portuguesas, por contraposição a Portas (Paulo) péssimo exemplar do homem luso. Ou, como diria o saudoso João César Monteiro, “tiram a Mona Lisa, para pôr um mono luso”…
Se Guterres se ausentou sabe-se lá para onde, se Barroso vai por essa Europa afora sem dar “cavaco”, se o País se prepara para enfrentar um primeiro-ministro “nascido” de um “golpe de estado”, se o mundo corre o perigo de construir uma imagem de Portugal em função de Portas (Paulo) … porque não pode o povo português mudar o país, através, por exemplo, de eleições democráticas?
Ao fundo do imenso túnel em que Santana gostaria de transformar o País, poderá surgir a luz do Presidente da República, Jorge Sampaio, cidadão eleito por sufrágio directo e universal. Com o cherne de partida, sigamos a democracia.
Super Abébia de Platina para o cidadão anónimo que se lembrou de convocar por telemóvel uma manifestação para Belém, em defesa de elementaríssimos direitos da democráticos.
Super Abébia de baquelite para os partidos da oposição, pela contumaz incapacidade de se unirem, para unanimemente exigirem eleições legislativas antecipadas.
“Sempre à Coca” está afogado pela onda de patriotismo que varre o País. Coisa vagamente idêntica apenas ocorreu nos idos de 60 do século passado, com a perda de “território português” na Índia. O povo “vindo de todo o País” concentrou-se, então e salvo o erro, no Terreiro do Paço (naquele tempo o povo pouco mais ocupava do que aquele espaço…), para demonstrar “patriotismo” à criatura que então “conduzia os destinos da Nação”.
Hoje, felizmente, os tempos são outros, o patriotismo é democrático, exibe-se com Bandeira Nacional desfraldada no postigo de um casebre serrano, ainda sem saneamento básico, ou hasteada em requintado mastro lacado, estrategicamente colocado em elegante terraço da Quinta da Marinha, uma vez ouvido o conselho de um decorador diplomado, ou com fama e proveito adquiridos na “Caras”.
“Sempre à Coca” comunga, com convicção, do patriotismo que assola o País.
“Sempre à Coca” sabe que Figo, quando marca um golo fantástico, não esquece mais de 500 mil portugueses desempregados.
“Sempre à Coca” sabe que Fernando Couto, quando atentamente evita um golo, se interroga sobre o encerramento de mais de 800 escolas, nos últimos dois anos.
“Sempre à Coca” sabe que Cristiano Ronaldo, quando executa uma finta de pasmar, não ignora a existência de milhares de compatriotas que há anos aguardam uma intervenção cirúrgica, num qualquer hospital público.
“Sempre à Coca” sabe que Rui Costa, quando concretiza um passe certeiro, fica constrangido perante a miséria de quase dois milhões de idosos portugueses, que aguardam a morte em silenciosa e vergonhosa pobreza.
“Sempre à Coca” sabe que o “mágico” Deco, quando deixa para trás dois ou três adversários, pensa de imediato na falência fraudulenta de milhares de empresas, para engrandecimento de alegados “empresários” e desgraça da economia nacional.
“Sempre à Coca” sabe que Maniche (ou Manique?), quando “transforma” um livre quilométrico, pensa nas dezenas de milhar de processos judiciais que se arrastam anos e anos nos tribunais, transformando o exercício da legalidade num penoso acto de injustiça.
“Sempre à Coca” sabe, em suma, que a Selecção Nacional de Futebol está ao lado da Nação, nesta patriótica ânsia de vencer a Europa, com simples ou inauditos pontapés na bola.
Viva a Nossa Selecção!
Viva a Nossa Abébia!
Viva a Nossa Vadia!
Viva o Nosso Portugal!
Abébia vocês-não-merecem-a-sorte-que-têm, para a divisão instalada no Partido Socialista, menos de oito dias após a obtenção de um excelente resultado eleitoral.
Abébia “onde está o Wally”, para Eurico de Melo, “militante histórico” do PSD, “referência social-democrata”, que nem no Congresso apareceu. Vá lá saber-se porquê.
“Sempre à Coca” está de volta, para saudar fervorosamente o nosso irmão brasileiro Roberto Medina, industrial da caridade que, nas horas vagas, organiza espectáculos musicais destinados à elevação da auto-estima de povos acocorados.
O País estava descrente, sem arrojo nem audácia, socialmente abúlico, politicamente abstinente, economicamente nas mãos da banca.
Medina chegou, diagnosticou e venceu, proporcionando à Nação o “Rock in Rio – Lisboa”, uma espécie de “Festa do Avante!” do “Bloco Central”, com “hambuguers” em vez de pézinhos de coentrada, com coca-cola em vez de tinto, com pacíficos lenços brancos em vez de aguerridas bandeiras vermelhas, com “Sala VIP” em vez de “Ponto de Encontro”, com discurso de presidente de câmara municipal em vez de “ponto da situação política” lido por secretário-geral.
Santana Lopes, candidato de oposição a Cavaco Silva, anunciou, na modalidade de presidente da CML, que em 2006, por acaso ano de eleições presidenciais, Medina estará de regresso, para soerguer de novo a alegria dos “irmãos” portugueses.
Saravá Medina, Portugal agradece e Lopes aproveita!
Continuemos a festa com o Euro 2004!
Saravá Deco, Portugal rejubila e uns quantos construtores civis agradecem!
Abébia de Ouro para Rui Rio que, em entrevista a um semanário, demonstra que também à direita se pode exercer política com dignidade.
Abébia “desculpe lá ó Sousa Franco, mas tenho que ganhar vida conforme posso”, para João de Deus Pinheiro.
Salvo o erro, foi o saudoso José Cardoso Pires que, algures em “Alexandra Alpha”, concluiu: “Isto não é um país, é um lugar mal frequentado”.
“Sempre à Coca” regressa com pezinhos de lã, cauteloso, com receio da incompreensão do país e respectivos frequentadores, cuja “auto-estima” mergulhou no pântano, pelo menos desde o ido António Guterres, então assíduo de Portugal na modalidade de Primeiro-Ministro. Presentemente, na qualidade de alto dirigente da Internacional Socialista, ele não pára por esse mundo fora, sem ligar patavina a correligionários invejosos, ou compatriotas preocupadinhos com o Euro 2004. Vítor Melícias que se cuide, qualquer dia nem mesmo Deus tem mão no homem.
Feita esta despropositada invocação, “Sempre à Coca” manifesta patriótica solidariedade para com o cidadão Amílcar Theías, de repente e injustamente apeado do Governo, quando ainda tanto havia a esperar.
Faltou-lhe a visão acutilante de uma arguta Manuela Ferreira Leite, o pundonor defensivo de um mimoso Paulo Portas, a força anímica de um irrequieto Figueiredo Lopes, o desplante político do inenarrável Bagão Félix (não há desgraça que não aconteça ao Benfica), a “codícia” da fogosa Celeste Cardona, a lucidez e transparência do irreverente Filipe Pereira, a capacidade de intervenção e organização de um trepidante David Justino…
Amílcar, tem calma meu, o que há mais por aí são conselhos de administração de empresas públicas, fundações, agências, institutos ou vice-versa. Não te deste bem com as águas, caíram-te mal, não há problema companheiro, consulta-te com o competente Cardoso e Cunha, ele explica-te como é que se faz, com sorte até te dá uma abébia (desde que não seja a Vadia!), se não for na TAP, pode ser na Expo, na CGD, na CP, na Carris, na Transtejo, eu sei lá. Em último caso pá, podes ir dar aulas, o Justino arranja-te, do pé para a mão, um horário completo na escola básica das Ilhas Farilhões, com uma vista soberba para Portugal Continental.
O que lá vai lá vai meu, não penses mais nisso, o teu mal foi não teres seguido o conselho de outro ex-ministro do Ambiente, o Zé Sócrates, também ele “Sempre à Coca” praticante, que há alguns dias disse para quem lhe quiser dar importância: “O desafio é dizer as coisas certas nos momentos adequados”.
Estás a perceber Amílcar, ninguém entra numa capela funerária e diz “ora então parabéns!”, ninguém passa pelo Guterres e diz “olha o Durão Barroso”, ou vice-versa, ninguém se cruza na rua com a Manuela Ferreira Leite e comenta, “olha a Letícia Ortiz!”.
Percebes agora, Amílcar? Além de nunca teres dito nada certo meu, andaste sempre em locais desadequados, mal frequentados.
Amílcar amigo, “Sempre à Coca” está contigo!
ABÉBIA DE PLATINA para o mais recente CD de José Mário Branco, “Resistir é Vencer”. Pequenas “pérolas” como esta, fazem-nos acreditar que ainda é possível construir um país de jeito.
ABÉBIA “o meu tabu é maior do que o tabu do professor Cavaco”, para Santana Lopes que, mais uma vez, “entalou” Durão Barroso, em pleno Congresso do PSD.
“Sempre à Coca” andava desnorteado, sem rumo, à deriva, em busca de objectivos mínimos que lhe permitissem ser português de cabeça erguida.
“Sempre à Coca” olhava em redor e concluía: metade do país está no desemprego, outra metade está na cadeia ou em detenção domiciliária, outra metade é obrigada a fingir que vive com pensões de reforma miseráveis, outra metade passa fome ou anda subnutrida, outra metade foge aos impostos, para assim pagar uma segunda habitação e exibir o “jeep” que nunca saiu do asfalto, outra metade vive entretidinha com o futebol, outra metade entretidinha com o João Pinto e a Marisa Cruz, outra metade entretidinha com o golfinho-bébé que já consegue nadar, embora apenas com a barbatana lateral direita. As melhoras.
Tudo isto não é matematicamente certo, mas também Jesus Cristo não percebia nada de Finanças e, todavia, conseguiu legar à Humanidade umas quantas verdades.
Quase a desistir da nacionalidade, “Sempre à Coca” foi reconduzido ao caminho da lucidez, graças ao ministro José Luís Arnaut, quando lhe apontou o “exemplo de ética e de dádiva à causa pública” do luso-madeirense Alberto João Jardim.
“Graças a Deus!”, suspirou aliviado “Sempre à Coca” ao ser-lhe indicada uma referência que permita aos portugueses olhar o futuro com regozijo, felicidade, segurança, amor, cultura e educação. Tudo com muita ética, claro.
Quanto “à dádiva à causa pública”, Arnaut cometeu, seguramente sem querer, a injustiça de esquecer outros casos. Sem esforçar muito a memória, “Sempre à Coca” recorda devotos como Valentim Loureiro, Avelino Ferreira Torres, Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e tantos outros que anonimamente (a PJ e o Ministério Público não podem estar em todo o lado) mantêm viva a “causa pública”.
“Sempre à Coca” atribui as seguintes Abébias:
ABÉBIA DE PLATINA – Para os motoristas da Carris, que se recusam a conduzir um autocarro mais de sete horas consecutivas, pondo em causa a sua saúde e a vida de milhares de passageiros que diariamente utilizam aquele meio de transporte.
Abébia “com a idade tudo nos acontece”, para Dias Loureiro por defender a transformação do País “numa imensa Madeira”. As melhoras.
Os frequentadores do “Abébia Vadia” já perceberam que “Sempre à Coca” pensa mais com o coração do que com a razão.
Por isso, “Sempre à Coca” declara-se admirador contumaz do Presidente Jorge Sampaio, homem sóbrio, educado, informado, com ideias (e ideais!) arrumadas, praticante da cultura, modesto quanto baste, firme quanto o necessário.
“Sempre à Coca” está sobretudo solidário com o ser humano Jorge Sampaio quando, na qualidade de Presidente da República, se emociona publicamente e não contem as lágrimas, dando assim sinal de pujante revolta contra injustiças impensáveis.
“Sempre à Coca” segue, pois, com atenção a “Semana da Educação”, iniciativa com a qual o Presidente da República tem mostrado ao País a escola real e o ensino profundo.
Logo no primeiro dia desta “Semana da Educação”, a repórter de uma televisão, numa intervenção “em directo”, à porta de uma escola de subúrbio, perguntou a uma criança com pouco mais de sete anos: “Que vais tu pedir ao Presidente da República?”
Sem grande hesitação, surgiu a resposta: “Vou pedir emprego para os nossos pais, para podermos comer”.
A singularidade do desabafo confere, por si só, um significado incalculável à iniciativa do Presidente Jorge Sampaio. É que Portugal detém o recorde da UE do número de crianças/adolescentes que diariamente abandonam o ensino. Quase sempre em busca de emprego que permita equilibrar o orçamento familiar.
“Sempre à Coca” já reparou que estas e outras coisas comovem Jorge Sampaio. “Sempre à Coca” arrisca a pretensão de considerar que os homens que choram estão mais perto da perfeição.
“Sempre à Coca” atribui as seguintes Abébias:
“Abébia de Platina” para os cerca de 40 mil professores que lutam contra o “erro informático” engendrado pelo Ministério da Educação.
“Abébia já me devia ter ido embora porque sou incompetente”, para o ministro da Educação, David Justino.
“Sempre à Coca” apresenta-se. Ou melhor introduz-se, como quem não quer a coisa, à sorrelfa, pela porta das traseiras, passa despercebido, é pseudónimo.
“Sempre à Coca” é o lado negro do “Abébia Vadia”. Desconfia da “Abébia”, admira e cultiva uma paixão platónica por “Vadia”.
“Sempre à Coca” é irresponsável, parcial, mesquinho, invejoso e acoberta-se no anonimato do Portugal profundo para exercer cidadania, por vezes ao nível do saneamento básico onde, como é sabido, habitam as justiceiras Tartarugas Ninja.
“Sempre à Coca” é substancialmente lusitano, português, patriota à mesa de café, é “tuga”, nunca diz nem torna a dizer, nunca faz nem torna a fazer, arreganha a taxa pela frente e espeta o corta-unhas (dos pés, tamanho médio) pelas costas.
“Sempre à Coca” é o “tuga” no seu melhor, deixa para a semana o que podia ter feito o mês passado, não paga hoje o que pode pagar no mês seguinte ou, melhor ainda, fica a dever porque só os “tansos” desconhecem que ninguém é preso por dívidas. Que se saiba, o Estado português nunca foi preso.
“Sempre à Coca” estará ao lado do “tuga”, cuja consternação atinge o auge quando, ao ver os telejornais, descobre os pobrezinhos, os desvalidos e outras minorias úteis ao exercício da caridade, desde que não alcancem o estatuto de maioria.
A caridade, como é internacionalmente reconhecido, está-nos na massa do sangue: Zé do Telhado roubava os ricos para dar aos pobres e a Rainha Santa Isabel, quando tropeçava num indigente (era assim que então se classificavam os sem-abrigo), escancarava o regaço de onde sacava um naco de pão com sabor a rosas. Esta ideia, aliás, de dar sabores às coisas, veio a ser aplicada com grande sucesso nos nossos dias, pela Nestlé e fábricas de anticoncepcionais.
“Sempre à Coca” não será complacente com ricos, poderosos, padres, médicos, agências funerárias, Finanças, seguradoras e construtores civis. Quando aparecem nunca é para nos dar alguma coisa.
Por fim, “Sempre à Coca” também enaltecerá e expandirá os autores e os feitos dos que melhor nos vão representado por esse mundo fora, numa diáspora levada a cabo com honra e coragem por gente em busca de pão, liberdade e, sobretudo, justiça. Saudemos gente como Fá-Fá de Felgueiras, Pedro Caldeira, Zé-Zé Beleza, o sobrinho de Isaltino Morais e tantos outros que a memória modestamente se recusa trazer até nós. Por agora.
PS (Post Scriptum, expressão latina que não quer dizer Partido Socialista)
Irregularmente, “Sempre à Coca” atribuirá “Abébias” a personalidades ou instituições que se vão distinguindo no difícil exercício da sobrevivência global.
ABÉBIA DE PLATINA – Para a cantora de fado Aldina Duarte, que acaba de se estrear no mercado discográfico com o CD o “Apenas o Amor”.
ABÉBIA DE ESFEROVITE – Para o Primeiro-Ministro, Durão Barroso, que, na impossibilidade de explicar ao Parlamento o inexplicável imbróglio Martins da Cruz/CGD, protagonizou um memorável e estridente festival de gritaria.
Abriu.
(Assinaturas) Azul. Eduardo Graça. José Rebelo. Marienbad. Nuno Marques. Paulo Godinho. Porfírio Silva. Sempre à coca.

(Foto do Arquivo Electrónico do Centro de Documentação 25 de Abril)