novembro 18, 2004

Portugal não está de tanga, está de sete saias!

Numa breve passagem por Barcelona o fim-de-semana passado tive a oportunidade de assistir ao Festival Independente de Barcelona. Por mera coincidência, o documentário que vi era de um realizador espanhol sobre o caso Alqueva. O documentário era bastante interessante, mas algo diferente chamou-me a atenção; a reacção das pessoas aos habitantes da Aldeia da Luz. Se fosse uma BD, teriam todos os presentes uns balão de pensamento a dizer: “os portugueses são mesmo atrasados!”. Tudo bem que aqui realmente trata-se de uma aldeia bastante isolada do progresso do país, mas em tudo é esta a ideia que sai de Portugal. Tomemos como exemplo as imagens publicitárias ao turismo em Portugal, são sempre imagens do campo. É claro que é bastante atractivo, mas Portugal não é só hortas! Enquanto for esta a imagem que passamos para o estrangeiro, nunca seremos levados a sério na comunidade internacional. Alguém que há pouco mais de 5 anos visitasse a Mini-Europa em Heysel, Bruxelas (um museu sobre a Europa tal como nós temos o Portugal dos Pequenos), o que iria encontrar na secção representativa de Portugal não era mais do que uma quinta e um terreno com um tractor e uma vaca! Infelizmente neste país está tudo mas é de olhos postos na Quinta…
Publicado por Nuno Marques em 06:25 PM | Comentários (3)

setembro 30, 2004

Regresso

Andei desaparecido deste blog. Talvez por sentir estar a falar para uma auditório vazio, talvez por preguiça. Foi agora com o início do ano escolar 2004/2005 que surgiu a vontade de colaborar novamente neste blog e para que este tenha um verdadeiro impacto. Num dos meus posts iniciais falei do desINTERESSE (alguém se esqueceu de renovar o contrato social?) da sociedade. Esse desinteresse é sem dúvida enorme por parte das pessoas da minha geração. Confesso que é quase frustrante ser-se dirigente associativo hoje em dia perante a apatia dos alunos (atenção que esta ideia de apatia nasce pela minha experiência enquanto dirigente associativo de uma faculdade e dos alunos da mesma e de contacto com dirigentes associativos de outras faculdades que se queixam do mesmo. Nunca esta ideia engloba a totalidade dos alunos dos ensino superior, mas apenas uma pequena parte e apenas das faculdades de Lisboa!). Tudo o que vá para além das notas das cadeiras do semestre parece que é insignificante. Não se interessam por outros assuntos que lhes dizem respeito e para os quais lhes são dadas oportunidades de se exprimirem (chegando ao cumulo de RGAs às moscas e de não haver qualquer aluno interessado em formar uma lista para o conselho pedagógico) e quando sentem necessidade de criticar algo que não está bem, falam apenas com os amigos sem qualquer consequência. Parece que não se querem fazer ouvir! Mas porquê este desinteresse? E porquê qualquer sentimento de critica ser auto-controlado, engolindo tudo o que lhe aparece à frente mesmo que não goste? Por mais estranho que possa parecer, cada vez mais vejo a própria faculdade como grande responsável por esta inércia. A faculdade tornou-se numa linha de montagem em massa de máquinas profissionais. Parece que se tornou apenas num centro de passagem de informação e que mais não cabe no plano da faculdade. Estou-me a referir ao facto de faculdades como a minha não proporcionarem o contacto entre os alunos, nem o contacto dos alunos com outras actividades e outras realidades. Dou como base desta ideia a minha faculdade. Um edifício/bloco recente, minimalista e até diria bonito. O problema é que falo apenas de paredes, pois não há mais do que paredes e cadeiras dentro de compartimentos a que chamam salas. Fora disso não há nada! Não há qualquer incentivo para o aluno depois de acabar as aulas ficar pela faculdade para poder conviver com os colegas, para discutir o que quer que seja. Não há um café (porque a faculdade não se está a movimentar muito para o abrir depois de o ter comprado à AE), os bancos no corredor estão virados para a parede, não há bancos no exterior, e o mais engraçado é haver uma paisagem bastante agradável que inclui um vasto relvado entre a faculdade e a reitoria, mas ninguém pode estar lá sentado porque vem logo um guarda a apitar para cima dos ouvidos (Pode pensar-se que é para não estragar a relva, mas não faria então sentido deixarem estacionar carros na mesma relva!). Como é óbvio, os alunos também não se queixam… e a faculdade lá mantém os alunos longe no pós-aulas (vá se lá perceber porquê!)
Publicado por Nuno Marques em 07:02 PM | Comentários (3)

junho 01, 2004

Aditamento à "origem de uma evolução"

Apesar do que disse na minha ultima entrada, não deixo de sublinhar o que Johannes Rau disse no seu ultimo discurso como presidente da Républica Federal da Alemanha: " É um erro pensar que podemos motivar as pessoas a trabalhar mais e melhor se estas vivem no constante medo de perder o seu emprego".
Publicado por Nuno Marques em 05:53 PM | Comentários (2)

maio 30, 2004

A origem de uma evolução

É o Governo, ele que nos governe. Pois é! E se falha a sua missão, mandamo-lo embora e que venha o próximo! Assim sucessivamente até haver um de jeito! Mas até que ponto é que é o governo que muda isto tudo. Tomemos o exemplo de qualquer governo. Por muito que se esforce em dar mais aos portugueses, nada feito sem que tenha o mínimo de produtividade por parte destes. Sem produtividade não há produto. Sem produto não há dinheiro. O povo queixa-se que não tem dinheiro. A culpa é do Governo? É claro que tem culpa e que muitas das políticas que exerce vão provavelmente no sentido oposto a incentivar a produtividade, sobretudo um governo que se concentra mais em privatizar tudo apenas para a curto prazo baixar o défice, mas as pessoas deviam pensar um pouco que o trabalho que fazem, qualquer que seja, não é só para proveito próprio, mas também para o país. Critiquem, mas não se esqueçam quem é Portugal! Se Portugal não anda a produzir, porque será? Porque o governo não se mexe...? Curioso...
Publicado por Nuno Marques em 08:16 PM | Comentários (0)

maio 23, 2004

Alguem se lembra do Rodney King?

Em Abril de 1992, a comunidade afro-americana de Los Angeles explodiu numa vaga de violência que durou três dias. Parecia que ia tudo a baixo! E a razão por trás de tudo, o caso Rodney King. Quatro agentes da polícia foram filmados a espancar um indivíduo negro (Rodney King), sem qualquer aparente razão. Levados a tribunal, este não viu qualquer razão para condenar os polícias. O jurí chegou a um veredicto favorável aos polícias, chocando toda a sociedade americana. Vejo aqui um paralelo com as fotografias que chocaram o mundo inteiro de soldados americanos a humilhar e maltratar presos de guerra. Ficou tudo muito indignado a pedir punição dos agressores, mas ao que parece o tribunal marcial que os tem em julgamento se começou por inclinar em dar uma pena suave aos réus. Será que isto ainda vai acabar numa explosão de violência mundial, à semelhança do caso Rodney King? Com os erros se aprende, mas a História prova que ninguém quer aprender...
Publicado por Nuno Marques em 04:10 PM | Comentários (4)

maio 15, 2004

Chegar a que destino?

Será que alguém tem cabeça para trabalhar depois de estar uma hora no trânsito? Será que alguém tem cabeça para trabalhar, depois de ter estado 40 minutos à espera do autocarro, que veio cheio de gente, quando depois ainda teve que apanhar o metro? E já agora, quem é que consegue trabalhar com pressa para se ir embora para não apanhar tanto trânsito de volta para casa? Isto são perguntas que eu próprio me faço, pois tenho a sorte de poder escolher como meio de transporte o "ir a pé", mas cada vez que tenho que alterar e mergulhar no mundo do trânsito, sinto uma grande depressão. Como será para quem faz do trânsito um hábito para ir trabalhar?
Publicado por Nuno Marques em 04:14 PM | Comentários (1)

maio 08, 2004

Alguém se esqueceu de renovar o contrato social?

Depois de postar a minha apresentação, tive nessa noite a oportunidade de discutir com B durante longas horas, sempre à volta da mesma palavra: INTERESSE. Ficou um desafio no ar! Realmente vivemos numa sociedade em que tudo gira em volta de uma certa artificialidade. O consumismo, o viver a 100 km/h não deixando tempo para sentir, que marcam esta “era” de modernismo, faz com que as pessoas se interessem por tudo, menos aquilo que realmente é importante e as afecta. Toda a evolução humana trouxe-nos, por exemplo, uma riqueza cultural impressionante, explorando toda a sensibilidade humana. A Fundação Gulbenkian proporciona todos os anos um programa de concertos variado e completo, contando sempre com um público assíduo. Porém é com um olhar atento mas desolado que constato vezes sem conta, que esse público (ou melhor, grande parte) aparenta estar apenas para o evento social que se tornou. As pessoas não parecem ir pelo gosto da música mas sim para serem vistas. Não interessa se chegarem atrasados, desde que sejam vistos no intervalo. As conversas à saída não vão além do novo massagista, ou do que X disse de Y. Esta artificialidade social tanto se aplica à cultura como à política. Daí o nível de abstenção, daí o baixo nível da política no nosso país. Enquanto se ouvir pessoas a dizer “Que horror, parem de falar de política. Detesto política!”, nada irá mudar. O artificial fica. O vazio fica. Como mudar? Fica um desafio no ar!
Publicado por Nuno Marques em 04:54 PM | Comentários (1)

abril 30, 2004

Onde estavas no 25 de Abril?

Esta é a pergunta mais frequente por alturas das comemorações da revolução dos cravos. Porém eu ainda não existia. Não vivi o sentimento de libertação, nem os anos de censura que o antecederam. Nasci. Senti, desde pequeno, o impacto que teve para todos que estavam lá. Rodeado de gente que se preocupa pelo que se passa pelo mundo fora, fui aprendendo que tudo nos afecta neste mundo, por muito longe que esteja, por mais irrelevante que seja. Mas a maioria da minha geração, aqueles que também sempre viveram em liberdade, não cresceu de olhos abertos para tal realidade, e tomando a liberdade como garantida, não se interessam! Vêm o mundo de outra perspectiva, e creio que é esse o meu papel nesta actio mental. Contribuir com a visão de um rapaz de 20 anos e com o mundo que o engloba.

Publicado por Nuno Marques em 10:23 AM | Comentários (1)

abril 25, 2004

Acto notarial

Abriu.

(Assinaturas) Azul. Eduardo Graça. José Rebelo. Marienbad. Nuno Marques. Paulo Godinho. Porfírio Silva. Sempre à coca.

Publicado por Porfírio Silva em 12:00 AM | Comentários (0)

Um blogue que Abril abriu

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(Foto do Arquivo Electrónico do Centro de Documentação 25 de Abril)

Publicado por Porfírio Silva em 12:00 AM | Comentários (0)