"Aré que enfim! " dirão todos aqueles que se mobilizaram para pedir a dissolução do parlamento e eleições antecipadas. Tê-las agora não é, porém, motivo de regozijo. Tê-las agora só confirma o que antes se reivindicava. Mas significa algo mais: significa pagar o custo deste governo. Qual é, Sr. Presidente? o preço a pagar por estes meses de governo Santana? Qual o custo que o país paga por limpar a consciência do Sr. Presidente da República? Quantas nomeações? Quantas indemnizações? Quantos erros políticos? Qual o "custo" deste orçamento?
Os erros pagam-se...lamentavelmente.
No campo da investigação sobre programas de simulação nos EUA, sabe-se que foi estabelecida uma parceria entre o Pentágono, Wall Street e Hollyood.
Ora, quando a máquina de guerra, a máquina financeira e a máquina ficcional se juntam, o que daí resulta é, por exemplo, a invasão do Iraque…
Acerca do fim do serviço militar obrigatório tenho que dizer, que me parece um problema muito mais complexo e de implicações mais profundas do que tem sido avançado. O facto da medida ter sido tomada por PP é muito sintomático.
Parece-me perigosa a profissionalização das forças armadas pelas implicações que essa profissionalização pode ter no âmbito da defesa. Depois, não vejo, francamente, hoje, a defesa como uma guerra clássica, disputa de fronteiras ou defesa contra o ataque do inimigo identificado. A defesa passa, cada vez mais, pela consciência política dos cidadãos, pela tomada de posição de todos. A defesa põe-se antes como garantia do exercício das liberdades de cidadania. Essa tomada de posição colectiva não pode ficar a cargo de um grupo militarizado, privado. Teria o 25 de Abril tido lugar com forças armadas profissionalizadas? O serviço militar pode ser entendido, parece-me, como participação activa na defesa e constituição de uma sociedade mais coesa. Assim, a prevenção e o combate aos fogos, o acompanhamento de idosos, o apoio aos doentes, a segurança das escolas, etc podem e devem hoje fazer parte das tarefas a cumprir pela função militar. A engenharia naval, a engenharia aeronáutica, a investigação espacial, etc, são campos de desenvolvimento imprescindíveis. Os civis que cumprem o serviço militar obrigatório não são, ipso facto, carne para canhão pelo simples facto de que, cada vez mais, a intervenção de um qualquer Estado num conflito deve ter o largo e claramente maioritário apoio popular. A garantia dessa condição está num serviço militar obrigatório e não num profissional. As forças armadas nos Estados modernos devem, e só assim as concebo, ser forças de paz. E a paz diz respeito a todos, sem excepção.
Foi hoje entregue o prémio de tradução científica e técnica, promovendo a publicação de textos científicos em língua portuguesa. A iniciativa parece de um bom senso óbvio, não fora o atropelo constante à fixação e solidificação dos registos em língua nacional, nessas mesmas áreas técnicas e científicas. Trata-se, na verdade de uma medida de ecologia linguística, tendente à preservação das espécies, leia-se, línguas em vias de extinção.
Nada mais actual do que retomarmos o mito de Babel:
Face a uma língua adâmica, originária e perfeita, a babelização trouxe a incompreensão, a incomunicabilidade. Babel aparece como o mito fundador da multiplicidade de línguas e é entendido como castigo. Mas Babel, assumido como diferença não culpabilizante, configura a grande viragem político-linguística, instauradora dos estados.
Por ironia do destino, estamos hoje condenados a uma posbabelização. Quando sabemos a que ritmo vertiginoso morrem as línguas no planeta, quando nos confrontamos com a dominação da língua anglo-americana, versão americanizada do inglês como língua mundial, suspeitamos haver uma outra leitura de Babel: um monolinguísmo que tende a converter-se num monologismo.
Babel dá-nos a incompletude de cada língua a atingir a verdade e o sentido e abre, ainda, a possibilidade ao jogo infinito de transposições. Daí que, para Umberto Eco, o futuro da cultura europeia deva necessariamente passar pelo desenvolvimento generalizado de uma prática poliglota, não tanto exercida pela tradução constante, mas pela aquisição, por parte de cada cidadão, de uma disponibilidade a ouvir e a compreender uma língua diferente.
Aqui fica o convite.
Dizia alguém, há uns dias, que em Português o uso do sufixo -inho releva de uma ternura, de uma afectividade para com os outros e as coisas. Fiquei a pensar se sim…
Ainda estou a pensar….
Queria mesmo, com boa vontade aceitar essa interpretação. Mas não consigo. Vejo logo uma repartição pública: “faz favor de preencher o impressozinho, colar-lhe o selinho e entregar depressinha senão não podemos garantir o prazozinho, z z z z”, um sussurro indistinto mas de mau agoiro a zumbir lá no fundo do ouvido. A burocracia na sua versão afectiva é feita de zinhos. Tudo está limpinho, certinho, arrumadinho, e esses inhos tecem uma teia onde a gente se enreda e fica presa. E depois, ecoam os inhos de um Eça: “oh Menino, a instuçãozinha! a instruçãozinha!”
Nem o Eça imaginava, aquela instruçãozinha da época salazarenta (este sufixo, pelo menos, cheira a bolor!) com que o destino nos brindou! Um Portugal Pequenito (variante linguística de Coimbra) que também recebemos por herança, com as casinhas pobres mas honradas. Este sentimento de desgraça envergonhada, de maleita que se cola ao corpo, de simpatia frustrada, de um inha que esconde erda…
Não, poupem-me os inhos e inhas. Basta-me um sorriso, o silêncio de um sorriso para me reconciliar com o mundo.
A mitologia da Antiguidade está perdida no mar dos tempos. No entanto, algumas das suas figuras povoam o nosso imaginário e constantemente as invocamos. Para consultar a família mitológica grega, aqui fica o enderço Mítico
http://mithos.cys.com.br/
Bons passeios, bons encontros!
Relembro aqui um post sobre comércio justo.
Nem de propósito. Foi lançada uma campanha de compra de um cabaz de Natal pela Latitude, com uma incrível variedade de produtos de múltipla proveniência geográfica, desde chá a açúcar mascavado, compota, etc. A minha ideia do presente natalício adquirido no comércio justo fez-se realidade! Agora é simples, reservem o vosso cabaz antes que esgote. Mas a iniciativa foi tão discreta que o stock vai acabar bem depressa…Por isso, despachem-se! As encomendas estão a cargo da UNICEF e podem ser feitas pela internet.
Vicente Jorge Silva publica em, a aba da causa, um excelente artigo sobre os Estados Unidos onde desenvolve a metáfora da aldeia global de McLuhan aplicada à geografia da votação em Bush. O que se verifica é que a aldeia americana não é global, pelo contrário, é fechada sobre si própria, sobre os seus valores retrógrados. Levar a globalização à América implica talvez rever o próprio sistema mass-mediático que nela funciona. Isto é, voltar a McLuhan. Se o livro abriu fronteiras, ligou espaços geograficamente longínquos, se os mass-media e principalmente a televisão tiveram esse efeito globalizador que a Internet vem potencializar ao máximo, como se compreende que certos canais de televisão estaduais possam fazer passar visões distorcidas do mundo, uma narrativa a preto e branco onde os bons estão, como diz VJS, na aldeia e os maus, de preferência, no mundo árabe? Qual o papel dos média na formação da opinião ou como veículo de acesso à informação? Como conceber o jornalismo embedded, a montagem de imagens, etc.? De que falamos quando falamos de informação: de ficcionalização do real? de performatividade das imagens? Qual o valor e o pacto de leitura que uma imagem, num boletim informativo, estabelece com o público? Importa pois interrogar o estatuto e os efeitos das imagens e dos enunciados produzidos pelos mass-media. Essa é a questão que, justamente através da internet, se torna cada vez mais premente colocar.
Nada há a acrescentar a esta constatação lapidar de José Saramagp:
"A vitóruia de Bush é a prova de que a mentira é uma arma de destruição maciça".
Não me roubem o Outono, este frio penetrante que chega e se estende e se espraia por todo o Inverno. Não me tirem Novembro e o seu tempo incerto, a chuva que fustiga as janelas e a azáfama de preparar os caloríferos, os cobertores, os casacos e sobretudos; ou aquele calor extemporâneo, dádiva de Deus, se ele existe, que convida ao banco de jardim, nos dias límpidos que tornam tudo tão nítido e rigoroso.
Não me tirem as castanhas e o S. Martinho, aquele cheiro inconfundível que se adivinha antes de vislumbrar o Homem das ditas, com seu arsenal, pelas ruas, vendendo aquela sensação irrecuperável de um tempo perfeito em que a castanha quente coincidia com o mundo e nada mais havia para além do sabor e das mãos sujas .
Não me dêem os enfeites de natal, assim no Outono, porque me retira a vida e o prazer de a viver ao ritmo dos meses. Como era longo o tempo que teimava em não passar e a vida permanecia assim suspensa e leve, na idade da inocência.
Só na infância houve o tempo dos magustos. Só na infância, tempo para esperar (e saborear).
Leiam este belo trecho com que Sampaio termina uma carta aberta aos jovens da geração dos seus filhos, publicada na Capital:
"Sei que vocês não aguentarão mais. Ouço-vos em toda a parte, por enquanto em surdina, em breve até que a voz vos doa. E por isso vos peço: ajudem a derrubar este governo.
Pela verdade e dignidade da vossa geração. Para que, tal como os vossos pais quando contaram 1974, possam dizer aos vossos filhos: sabes, fizemos um segundo 25 de Abril, só com arte e coragem, e o governo foi--se embora.
Com toda a v(n)ossa força ".
Sampaio, D.
E digam-me lá se esta família se encontra em seu perfeito juízo!
Assim, sem mais. Sem direito a avenida ou praça, sequer a rua ou a largo. Assim, sem mais. Um beco? um canto? um cruzamento sem traçado, daqueles que acontecem quando tudo é provisório, sem plano. Lugar de passagem onde nem o trânsito se entende. Desfigurado, sem harmonia volumétrica, ponto de partidas e chegadas, de confluência de transpostes, numa heterogeneidade caótica que se acrescenta já à incaracterística marca do lugar, velho, sem charme , sem nome, incógnito…
Ora se não é rua, se não é praça porque é atribuído a esse beco sujo uma dupla adjectivação disfórica de género, no entanto, feminino?
Tal como o beco, o canto, o lugar sem contornos e sem nome, “triste-feia” é nada mais nada menos do que dois qualificativos atribuídos à rainha D. Catarina, casada com Carlos II de Inglaterra. Tão feia e tão triste que o marido a desprezou, a humilhou, a abandonou. Não deixou descendência, vergonha da natureza que assim incógnita se vem aninhar no beco mais sujo de Lisboa, onde ninguém lhe presta atenção, nessa azáfama de apanhar o autocarro ou o comboio, a passagem desnivelada de peões, ou se embrenhar, sabe-se lá para onde, no princípio do bairro de Santos, mesmo em baixo da Maria Pia. Por mais mal afamada que esta última esteja, na geografia da toponímia lisboeta, sempre se ergue lá para cima, até ao Alto do Carvalhão, determinada, sobranceira à baixa de Alcântara, medindo-se com o relevo do Alvito, do outro lado do largo leito de rio agora esquecido, da Av. de Ceuta.
“Triste -feia” a portuguesa nobre, filha de D. João IV, que, no entanto, está imortalizada em Nova Iorque, em frente a Manhattan, designada pelo seu estatuto - Queens. Imortalizada na very british tea time, como quem diz, o chá das cinco. Introdutora em Inglaterra do gosto pelo chá, da marmelade - doce de laranja amarga -, Catarina levou no seu dote, além de uma autêntica fortuna em ouro, Tânger e Bombaim, que passaram a ser propriedade inglesa.
Tristes feios de nós, que nos apagamos na história, sem nome e sem marca, tal como a rainha, sofrendo da sua fealdade e por isso assim tão silenciosos.
Afinal a globalização ainda não chegou aos EUA! É verdade. Quem pense que o fenómeno conhecido por globalização partiu dos Estados Unidos, quem se deu ao trabalho de alinhar na contra-globalização e fazer frente à potência americana alerta-se para este facto: a América profunda, a extensão territorial que dá pelo nome de States, não sabe que o mundo é mundo, está numa fase pré-galilaica, julga que o globo vai de costa a costa (entre Atlâtico e Pacífico, entenda-se). E qualquer evocação da opinião pública esclarecida de NY ou da Califórnia só vem demonstrar que a excepção confirma a regra. É verdade, senão vejamos: os americanos confundem a totalidade dos países árabes com os focos terroristas; não fazem a distinção entre um estado laico e um estado confessional, ignorando assim o legado do seu antepassado La Fayette. Da Europa, ouviram falar mas identificam-na apenas com a Inglaterra; da guerra do Iraque têm uma vaga noção através das imagens (e só dessas) que as suas televisões transmitem sobre passatempos nas casernas americanas em Bagdad. Televisões do mundo, desconhecem; idem para o cinema. Para além dos filmes de Hollywood, não sabem que existe cinema. Línguas estrangeiras,desconhecem-nas. E o que existe de planeta para além do seu território, só mesmo a crosta de Marte. Donde, é urgente globalizar os EUA.
A estratégia é simples: tal como fizeram McDonald’s e Coca-Cola em 1989, aquando da queda do muro de Berlim, oferecendo hamburgers e coca-cola aos que de Leste, passavam o muro derrubado, a Europa e o mundo deveriam estar de plantão lá, nas profundezas das floridas, ohios, texas, etc., com cartazes elucidativos sobre o que o mundo pensa dos States e do seu inenerrável bush!
Mário Vieira de Carvalho esclarece, em mais um artigo no Público, a filosofia que sustenta os Acordos de Bolonha e como a aplicação ao nosso sistema universitário está a ser enviesada e deturpada por razões que nos são demasiado familiares. A deturpação consiste, basicamente, numa conversão precipitada dos actuais diplomas universitários nos ciclos propostos por Bolonha. Assim e resumindo: ao sistema 3+2 consensualmente adoptado na Europa, correspondem, em termos de diplomas nacionais, respectivamente o de Bacharel (1º ciclo = 3 anos) e o de Master (2º ciclo = 2 anos). A designação de Licenciatura é inadequada mas está mais perto do segundo diploma que do primeiro. Um primeiro ciclo curto destinado a ser absorvido pelo mercado de trabalho; um segundo ciclo com uma preparação de maior fôlego. E um terceiro ciclo de ensino virado para a investigação e especialização doutoral. Ora o entendimento generalizado em Portugal vai no sentido da conferição da Licenciatura ao fim de três anos o que redunda, para a opinião pública e para o público universitário, num abaixamento da formação universitária. Esta conclusão é, não só totalmente contrária aos chamados Acordos de Bolonha, como ainda por cima perverte o sentido de tais acordos que caminham para um prolongamento da formação superior, a que se acrescenta ainda o modelo da formação ao longo da vida, através de pós-graduações, pós-doutoramentos, etc, e nunca para uma formação massificada e curta para mergulhar de seguida no mercado de trabalho. Acrescente-se a isto a igualização do ensino superior universitário e politécnico e teremos o quadro das futuras assimetrias portuguesas na Europa.
“Para acabar de vez com o juízo” da Licenciatura, propõe-se a conferição pelo Estado português do título de Dr. indiscriminadamente e à nascença, aquando do registo civil que pode ser ou não acompanhado de testemunhas de “padrinhos”. Com a democratização do título de Dr., talvez a seguir, se possa discutir calmamente qual a formação séria e necessária de que o país precisa.
Derrida deixou-nos… Para além dessa inevitabilidade da morte que tanto o obcecava, deixou-nos um pensamento aporético para toda uma geração futura se confrontar. Mas deixou-nos ainda algumas inquietações políticas à mistura com alguma esperança no papel geopolítico que a Europa poderá vir a desempenhar (a Europa? ou uma outra Europa?).
Talvez nós todos, testemunhas do seu desaparecimento, não tenhamos a alegria de morrer nessa evidência, nem mesmo nessa esperança.
Talvez que utópico, mas, ainda assim, aqui se regista um fragmento da última entrevista concedida ao Le Monde (19.08.04) :
“…hoje, na actual situação geopolítica que é a nossa, a Europa, uma outra Europa mas com a mesma memória, poderia (em todo o caso é o meu voto) unir-se ao mesmo tempo contra a política de hegemonia americana (relatório Wolfowitz, Cheney, Rumsfeld) e contra um teocratismo arabo-islâmico sem Luzes e sem futuro político e (mas não negligenciemos as contradições e heterogeneidades destes dois conjuntos e aliemo-nos àqueles que resistem do interior destes dois blocos). A Europa encontra-se sob a injunção de assumir uma nova responsabilidade. Não falo da comunidade europeia tal como existe ou se desenha na sua maioria actual (neoliberal) e virtualmente ameaçada por tantas guerras internas, mas de uma Europa por vir e que se busca. Na Europa (geográfica) e fora dela. O que se designa algebricamente por “Europa” tem responsabilidades a assumir no futuro da humanidade, no futuro do direito internacional - é a minha fé, a minha crença. E nesse caso, não hesitaria em falar de “nós, os europeus”. Não se trata de desejar a constituição de uma Europa que fosse uma outra superpotência militar, protegendo o seu mercado e fazendo contrapeso aos outros blocos, mas de uma Europa que viria semear o grão de uma nova política alteromundialista. Que é para mim a única saída possível. Essa força está em marcha. Mesmo se os seus motivos são ainda confusos, acho que nada a deterá. Quando digo a Europa é isto mesmo: uma Europa altermundialista, que transforme o conceito e as práticas da soberania e do direito internacional. E que disponha de verdadeiras forças armadas, independentes da NATO e dos EUA, uma potência militar que não seja nem ofensiva nem defensiva, nem preventiva intervindo sem tardar ao serviço das resoluções, enfim, respeitadas por uma Nova ONU (por exemplo, com toda a urgência em Israel, mas também noutros lugares). É também o lugar a partir do qual se pode pensar correctamente certas figuras como a laicidade, por exemplo, ou a justiça social, outras tantas heranças europeias.”
O assunto está na ordem do dia. A equiparação do ensino politécnico ao universitário não terá por detrás uma política de objectivos que marque bem a vocação de cada uma das instituições, mas antes, políticas internas algo obscuras que só teriam a ganhar em ser largamente discutidas. O politécnico, tal como é agora desenhado, recobrirá as funções da universidade, por mimetismo. É claro que o país necessita de um ensino politécnico, de natureza marcadamente tecnológica e de alta competência para o mercado de trabalho empresarial, laboratorial, etc, etc. Mas esta ideia das grandes escolas técnicas hiperespecializadas não motiva o politécnico português. Este reivindica um estatuto virado para a formação fundamental, para a preparação de doutoramentos, por exemplo, duplicando assim, em cursos e em diplomas, o papel do ensino universitário (dito de formação longa). Por outro lado, como refere Martçal Grilo, num importante artigo no Público da semana passada, atribuir ao politécnico a conferição do grau de doutor é “dispersar recursos inerentes a actividades de investigação em mais de quatro dezenas de instituições, não se conseguindo assim criar as bases para consolidar em Portugal instituições universitárias capazes de competir com as grandes e avançadas "research universities" europeias e norte-americanas.” Além disso, as competências técnicas, por secundarizadas, vão criar lacunas na formação a curto prazo, o que se torna preocupante. Mais uma vez a demagogia impera e a re-estruturação do ensino superior nas suas vertentes politécnica e fundamental, em vez de reforçar a complementaridade e interconexão será, para agrado de todos, homogénea e redutora.
Estou descontente com este blogue. É verdade; não só quando escrevo ninguém me contradiz como raramente consigo contradizer aqueles que aqui escrevem, meus combloguistas!
E os leitores? que é feito da diversidade de opiniões? Porque não nos contradizem? Por que estão sempre de acordo?
A verdadeira democracia exerce-se no plano do contraditório. Há um português. Ele fala. Aparece logo outro a dizer que não concorda, que não é nada daquilo, que ele não percebe nada, etc.
Por isso, a minha ideia era tornarmo-nos estrangeiros, cada vez mais outros...
Cada um deverá exercitar o seu íntimo contraditório.
A esquizo-análise está de novo na ordem do dia. Vou começar por dar o exemplo:
Este post é mesmo mau! Quando não se tem ideias, deve-se estar mas é em silêncio. E depois, se são piadinhas de mau gosto, ao menos deveriam ser mais subtis, com alguma ironia! Não esta prosa mole, vazia, batida...
Sim, o buraco, o fosso... Não, não estejam à espera de mais um comentário à política nacional. Não, não falo do rombo de MRS exerceu no actual governo e que está a ser cada vez mais alargado por outras figuras que tentam ir a reboque. O buraco em que o PR se meteu e donde não sabe como saír, talvez içado pelo dito MRS. Não. O buraco de que falo é físico; está lá, sem comentários, há n anos, desde a reconstrução do Chiado e aliás, deu conta do Largo do mesmo nome. Esse buraco é da autoria de um intocável português, chamado Siza Vieira e até agora não fez caír nenhum governo...Trata-se da entrada para o metropolitano, ali mesmo naquilo que dantes, provincianamente, liboetamente era o Largo do Chiado e que hoje está reduzido a um monumental fosso por onde a estátua do poeta se poderá atirar, numa altura em que a depressão nacional seja ainda maior...Quem sobe o Chiado, julga o poeta, à beira de um ataque de nervos, inclinado para o precipício.
Mas ninguém nem ele próprio, alguma vez , teve a coragem de se queixar!
Ainda não percebi qual o alcance social e urbano da nova lei das rendas. É um problema demasiado complexo, como o demonstra a prolongada ineficácia no sector. Ora, a minha expectativa é grande quanto à dinâmica que a nova lei vem criar. Tem havido um grande equívoco na forma de entender a cidade. Conservar é viver, é habitar, é intervir, é recriar. Numa cidade, as habitações só podem estar conservadas se verdadeiramente habitadas, em condições de higiene e segurança que permitam a livre circulação de pessoas e até de gerações. Habitar as casas de uma cidade é dar-lhes alma, vida, movimento. Face ao imobilismo e deterioração a que chegaram os centros urbanos, a mobilidade, essa, tem-se feito sempre num movimento centrífugo, sobrecarregando as periferias de parques habitacionais de má qualidade. E o centro vai-se esvaziando, vai-se tornando um lugar fantasmagórico, anacrónico, artificial, temático. Até o comércio de bairro, não suportado pelos seus moradores, se transforma numa animação artificial, que funciona em horário útil, como as repartições. É assim a baixa lisboeta. Estarão aí, finalmente, as efectivas medidas para reabilitar o centro urbano? Esperemos para ver…
Seja verdadeira ou falsa, a notícia circula e, portanto, a questão está colocada: deve o santuário católico de Fátima acolher ou não outras religiões?
Falo de fora da Igreja, falo do lugar da laicidade, de um lugar exterior ao culto, à crença, à manifestação religiosa. Há, no entanto, um ponto de confluência, segundo me parece, entre as dimensões cultual e cultural. É que a religião católica é, antes de mais, uma herança cultural. Essa herança está lá, para o bem e para o mal. Quando se visita a velha Sé de Lisboa deparamo-nos com um lugar verdadeiramente sagrado, que foi, nas épocas mais recuadas, cadinho de outras culturas e civilizações. E isso é extremamente reconfortante. Quando pensamos na Inquisição ou na pactuação por omissão, do Papa Pio XII com a política nazi de extermínio judeu, qualquer leigo sente uma culpabilidade não pessoal mas hisórica, social.
Agora, quando as imagens que nos chegam de Fátima são as do acolhimento da diversidade: a de um sacerdote hindú cobrindo com um manto colorido o fato austero de um sacerdote católico, a da passagem do Dalaï Lama, ou ainda a da celebração ecuménica realizada por D. Policarpo em tempos de Natal, aí sim, a racionalidade fria quebra-se por uma inexplicável onda patémica. Uma emoção muito interior, muito do lado da crença, de quase felicidade se exala desse gesto de oferta e do simétrico gesto de acolhimento. Aí sim, tocamos o transcendente, no sentido do que excede, transborda e se tranforma e que está na aceitação do outro enquanto diferente, do outro enquanto Outro.
Voltemos ao FÓRUM BARCELONA 2004! Novas propostas urbanísticas que configuram novas cidadanias foram apresentadas na exposição “Cidades-Esquinas”. Do manifesto exibido na exposição ressaltam alguns pontos:
Em primeiro lugar, a ideia de confluência: “1. O ângulo é a geometria elementar da urbanidade. É intersecção e vértice. E são as esquinas construídas que materializam acordos e contrastes entre edifícios, actividades e movimentos.”
Depois, uma perspectiva recticular de cidade: “4. A multiplicação de esquinas forma a cidade. A cidade é a rede de esquinas: espaço articulado para facilitar a intersecção de pessoas e actividades.”
Segue-se a pluralidade de culturas: “6. A urbanidade – diversidade cultural – não é uma questão de concentração ou dispersão. É uma questão de interdependência. É uma questão de densidade de esquinas.”
Ainda a diversidade urbana: “9. Contra a proliferação dos parques temáticos; contra as urbanizações 'exclusivas'; contra os bairros dormitórios e os distritos de escritórios; contra os subúrbios infinitos: as virtudes da intersecção e, inclusive, da promiscuidade, enquanto objectivos de qualquer projecto de cidade.”
Por último, “10. Por um urbanismo de ambiguidade, surpresa e mistura: mais e mais esquinas!”
Está em debate, no Instituto de Ciências Sociais, a temática: "Cidade, Cidadão, Cidadania". Para Villaverde Cabral, o “efeito-cidade”, como uma maior consciência e participação cívica, teria tendência a revelar-se mais consolidado nos grandes centros urbanos. A cidadania como consciência cívica e política é resultado do viver na cidade, tese contrária ao do americano Robert Putnam, que considera haver efeitos nefastos das grandes periferias urbanas e das fragmenmtações suburbanas. Se é verdade que a cidadania e por conseguinte a consciência dessa pertença é facultada pelo próprio espaço urbano, também se torna incontornável a crise que a cidade atravessa nos seus limites sustentáveis o que acarreta uma consequente crise de cidadania. Robert Putnam é o introdutor do conceito de “capital social”, adoptado na sociologia, e também da sua própria revisão. Quer isto dizer que a sua tese de que existe uma “long civic generation” está a ser por ele revista através da verificação de um desgaste cívico nesse capital social, o que é preocupante.
Aguardemos pelas conclusões da investigação para vermos esclarecidos os tópicos do inquérito e perceber a disparidade de tendências.
Uma pequena reportagem da última Visão lembra um quadro lisboeta absolutamente votado ao esquecimento: a rua do bacalhau, que, contrariamente ao que se imagina, não coincide com a Rua dos Bacalhoeiros, mas situa-se antes na Rua do Arsenal. Pois essa rua tem um sortilégio que para muitos pode querer dizer simplesmente atraso. Entre a Praça do Município e o Cais do Sodré, a Rua do Arsenal, topónimo já inscrito na topologia literária portuguesa, por Bernardo Soares entre outros, é uma rua espantosa! E o espanto vem-lhe precisamente desse comércio arcaico, que subsiste nos nossos dias, ainda que reduzidamente: a venda de bacalhau seco, cortado, esquartejado, dividido, aproveitado até à medula (neste caso às tripas, que fazem as delícias dos nipónicos). Temos, porém, inscrita na memória colectiva do olfacto o intenso odor que este peixe seco exala. Pois é: a Rua do Arsenal possui uma atmosfera densa que alia o famoso cheiro a bacalhau com o de certas especiarias também ali vendidas em antigas mercearias, que ainda exibem sacos de serapilheira alinhados, com varidades de leguminosas secas, intercalando com açafrão, caril, chás e outras ervas secas. A Rua do Arsenal é, por isso, um lugar raro, exótico mesmo, só equivalente aos mercados afro-indianos do Martim Moniz, por exemplo. Passear na rua do Arsenal é viajar pelo mundo, numa globalização avant-la-lettre, que hoje, curiosamente, incomoda mais do que deslumbra. Porque o cheiro é o tabú das nossas culturas asseptizadas. O cheiro está do lado oculto do corpo, visível mas não cheirável. A cultura ocidental votou o odor ao encobrimento através, nomeadamente, da indústria do perfume, sobretudo a partir da França do século XVIII. Como recordarão aqueles que leram o Perfume, de Patrick Suskind as cidades fediam. Putrefacção, decomposição, emanação de múltiplos odores dos corpos, humanos como animais, tal era a atmosfera das cidades. O perfume é a sublimação do cheiro. A cultura contemporânea relega o odor natural para o plano do recalcado, do obs-ceno, fora de cena. Embalados, desinfectados, hermeticamente fechados, os produtos que circulam entre nós estão desprovidos da capacidade de despertarem sensações olfactivas. O humano torna-se cada vez mais alérgico à variedade dos odores, inodoro. A Rua do Arsenal é hoje, para o mais requintado snob, um lugar infecto, disgusting! A paleta dos odores limita-se aos odores sublimados. Se, como intui Suskind, o aroma é a alma do sujeito, então descobrimos nos aromas a paleta das almas que nos rodeiam.
Quem já leu o Público de hoje e tem a possibilidade de escrever num blog sente-se implicado. É que Pacheco Pereira adianta uma série de argumentos a favor de um reforço do espaço público que está a acontecer com e na blogosfera, que ele designa por "media-esfera" dado o enriquecimento do sistema mediático. Por isso, hiperautores da blogosfera, ao trabalho!
Vital Moreira, em Causa Nossa, refere uma questão que diz respeito à sociedade civil e não tem, entre nós, qualquer expressão. Trata-se da existência de lugares públicos não religiosos para o exercício de certas cerimónias. Como assinala VM, “os não crentes têm direito a exéquias não religiosas em espaços civis”. Acrescentaríamos actos como o casamento civil ou o registo de nascimento. O recurso sistemático a espaços religiosos não só se torna ambíguo por parte daqueles que o fazem, porque misturam senão confundem, as suas convicções cívicas com as religiosas, como, e mais importante até, remete o Estado para compromissos que não deve nem tem de assumir. Num estado laico, tais cerimónias deveriam ser dignificadas e realizadas na sua laicidade, integrando o regime de actos civis formais. O exemplo da França vem a propósito. As câmaras e/ou juntas de freguesia dispõem de um salão nobre e de um espaço funerário onde estes actos têm lugar, concedendo-lhes toda a dignidade. Se a história poderá explicar estas zonas de ambiguidade entre um Estado que se diz laico e a Igreja, a opinião pública deveria, no entanto, fazer pressão para que tal distinção se fizesse.
A notícia é espantosa e aqui fica como sugestão para o próximo Presidente da Câmara de Lisboa: “O arquitecto alemão Helmut Jahn, autor da Praça Sony na Potsdamer Platz em Berlim, desenhou um edifício para os sem-abrigo e dependentes da assistência social em Chicago, cidade onde vive”.
Para além da política levada a cabo pela Câmara de Chicago no alojamento dos sem-abrigo há a ressaltar a própria perspectiva urbanista deste arquitecto que vai no sentido de "mostrar a importância dos projectos bem concebidos na criação de comunidades saudáveis", como ele próprio afirma. É que não se trata mais da construção de alojamentos de renda económica, remetidos para as periferias urbanas, que depressa se transformam em guetos e passam a ser cancros urbanos. A arquitectura e o urbanismo são modos de actuação no tecido urbano com a finalidade de operar modificações no próprio tecido social. De outra forma, transformam-se em medidas decorativas ou, o que é pior, segregacionistas.
Aqui fica uma ideia para as tão faladas Torres de Alcântara!
Foi realizada uma investigação científica em bioética, que tem como objecto de estudo o nascimento prematuro de crianças no Hospital Amadora-Sintra, refere o Público on-line. Desse estudo ressalta um mundo de horrores que este governo, a reboque do Ministro da Defesa, teima em esconder. A virtude daqueles que se afirmam contra a despenalização do aborto (porque é de despenalização de uma prática que se trata e não de concordar ou não com ela) esgota-se na cegueira hipócrita às consequências da não legalização. E quais são essas consequências? O estudo refere algumas, por exemplo, o uso de fármacos que provocam reacções abortivas como efeitos secundários:
«"há um número crescente de grávidas que fazem um uso tardio do fármaco, por vezes depois das 24 semanas de gestação (seis meses), não tendo noção da viabilidade daquele feto". O misoprostol isolado é pouco eficaz no primeiro trimestre da gravidez, com expulsão do feto em apenas 9 a 20 por cento dos casos. Nos segundo e terceiros trimestres é mais fácil induzir o parto”, refere. Como se trata de gravidezes não vigiadas, muitas mulheres ignoram quando ficaram grávidas. "Não percebem que "não vão expulsar um embrião mas um feto vivo e viável. Para estas mães o nascimento de um filho vivo é uma surpresa com a qual têm grande dificuldade em lidar", salienta. "Estas mulheres acabam por ficar com uma criança viva cheia de problemas de saúde", por vezes "sequelas neurológicas, como a paralisia cerebral"». Abortos vivos, é disso que se trata. Juntem este dado ao do abandono de recém-nascidos nas maternidades e deparamo-nos com o recalcado desses discursos pseudo-éticos, virtuosos por ingénuidade ou por hipocrisia. É que ter da humanidade uma ideia idealista dispensa de lutar contra as suas fraquezas. Ora o humano não é um super-humano, é, isso sim, “demasiado humano”. É aí que as questões políticas se colocam e nos interpelam.
Àqueles para quem Bertolucci foi tema estival, aqui fica um comentário ao seu último filme, The Dreamers, 2003:
François Truffaut diceva:"avere un'idea sul cinema significa avere un'idea sul mondo". La frase vale per The Dreamers, ultimo film del nostro più grande e famoso cineasta vivente, quel Bernardo Bertolucci che ci regala forse il più bell'atto d'amore della sua carriera. Un atto d'amore verso il cinema, verso la Parigi dei cineclub, della Nouvelle Vague e del Maggio, verso il '68 con tutte le sue illusioni, le sue amarezze, i suoi sognatori, appunto. Tutto questo senza nostalgie, con la consapevolezza di aver vissuto in prima persona quegli indimenticabili anni così turbolenti ed affascinanti da farci un film.
Como con-vive a cidade com o seu lixo? O lixo tem, antropologicamente falando, um estatuto híbrido. Nem sujeito/sub jecto nem objecto/ob-jecto, o lixo entra nessa característica fluída poque ambígua de de/jecto, aquilo que excede e nessa excedência se queda no limiar, entre dois territórios, entre duas categorias. Assim, limpar a casa é pôr o lixo à porta. De portas para fora, o espaço deixa de pertencer ao sujeito; o passeio é, para muitos cidadãos, um lugar fronteiriço, zona de depósito, de dejecto, de descarga do próprio, zona im-própria, portanto.
As cidades do Sul lidam de uma forma mais anárquica, diríamos, ou patémica com os detritos que produzem. O entulho, o cheiro que dele se exala, o amontoado de detritos espalhado pelas ruas e becos, de Nápoles como de Lisboa, demonstram essa não identificação da rua como um espaço colectivo próprio, no duplo sentido que o termo ganha em francês, apropriado e limpo. O próprio aliás, é sempre o resultado de um trabalho de apropriação e limpeza, sendo o sujo impróprio, mas também não-próprio. Resta entender que a rua não é um não-lugar, para usar a terminologia de Marc Augé, mas sim um espaço de vivência colectiva e, nesse sentido, deve estar limpo, organizado. Há uma experiência de vida em comum que é necessário fortalecer. Pintar a casa, deitar o lixo nos caixotes, não estacionar em cima dos passeios, não vandalizar as plantas no jardim, as estátuas nos parques, os candeeiros na rua são comportamentos que relevam de uma consciência de cidadania. Aprender a anular essa dicotomia entre interior e exterior, dentro e fora de casa, é uma aprendizagem lenta e à qual não se atribuíu ainda a importância cívica que ela merece.
Em As cidades invisíveis, Italo Calvino dá-nos essa antevisão apocalíptica do lixo que acabará por deglutir as nossas cidades, ao descrever Leónia:
“A cidade de Leónia refaz-se a si própria cada dia que passa:/…/
“Nos passeios, embrulhados em rígidos sacos de plástico, os restos de Leónia de ontem esperam o carro do lixo. Não só tubos de pasta dentífrica bem apertados, lâmpadas fundidas, jornais, contentores, restos de embalagens, mas também esquentadores, enciclopédias, pianos, serviços de porcelana: mais do que as coisas que dia a dia são fabricadas vendidas compradas, a opulência de Leónia mede-se pelas coisas que dia a dia se deitam fora para dar lugar a novas. De tal modo que há quem se interrogue se a verdadeira paixão de Leónia é realmente como dizem o gozar as coisas novas e diferentes, ou antes o rejeitar, o afastar de si, o limpar-se de uma constante impureza.
“/…/É uma fortaleza de resíduos indestrutíveis que rodeia Leónia, que a domina de todos os lados como um maciço de montanhas.
“Os confins entre as cidades estranhas e inimigas são bastiões infectos em que os detritos de ambas se escoram uns aos outros, se sobrepõem e misturam.”
Lisboa, Teorema, pp. 115, 116
Cada vez mais se impõe saber, tomar consciência do circuito que percorre um produto desde a sua criação até à mão do consumidor. Claro que certas campanhas foram já levadas a cabo no sentido de boicotar a aquisição de determinados produtos fabricados em determinadas partes do mundo. Situar as grandes marcas internacionais e desencadear acções de boicote aos seus produtos, como foi o caso com a Nike fabricando na Indonésia, são acções que podem resultar desde que a causa que as move seja apelativa, no caso tratava-se da dependência de Timor à Indonésia. Mas este tipo de acções é sempre restrito a um caso e determinado no tempo.
No entanto, começa a desenhar-se outra figura de controle do circuito da produção por parte dos consumidores designada por “comércio justo”. Um símbolo mundial pode vir a catalogar os produtos que respeitaram, desde a produção ao consumo, as regras elementares de justiça social. Começam a aparecer lojas no país onde se vendem produtos nestas condições, que, ao que parece, não chegam ao consumidor a preços excessivos. Por isso, há que passar a estar atento, há que começar a exigir a garantia internacional de um comércio justo, uma óptima medida a ser aprovada pela União europeia. Ou estaremos a falar de utopias? Há ONGs que se ocupam desta questão, como seja a francesa Max Havelaar, que propõe algumas acções muito simples:
À pergunta: que posso eu fazer? Responde:
-prefira os produtos com o label “comércio justo”;
-sensibilize os que o rodeiam, fazendo-os provar os produtos;
-introduza o “comércio justo” no seu local de trabalho;
-veja se consegue que a sua cidade se mobilize na introdução do “comércio justo”.
Em Portugal, organizações como o CIDAC e a OIKOS têm levado a cabo acções de sensibilização neste domínio.
A minha sugestão é a seguinte: passar a oferecer aos amigos produtos com essa garantia.
Aqui ficam entre outras moradas a explorar:
Loja de Comércio Justo - Ecos do Sul - Loja do mundo , sita ao Largo Cristóvão da Gama, nº 6 - A, na Damaia , 2720 Amadora (Tel. - 214767750 ; Fax - 214741447).
Loja do Comércio Justo – Associação Reviravolta, Rua Santos Pousada – Central Shopping, 4º piso / loja 211 / 4000-478 Porto
Ou então procurar em: Comércio justo
A recente vaga terrorista, de que são exemplos concomitantes os dois jornalistas franceses raptados no Iraque, as crianças russas e suas famílias sequestradas por terroristas tchetchenos e o assassinato de nepaleses, mostra o papel avassalador que o terrorismo vem desempenhando nas nossas sociedades contemporâneas. A guerra convencional tem tendência a deslocar-se para micro-teatros de violência que desafiam convenções internacionais, direitos humanos, negociações diplomáticas, etc. A violência que caracteriza estas tomadas de posição por parte de grupos mais ou menos autónomos é uma violência gratuita, sem rodeios nem limites dado que ela infringe o limiar de toda negociação que é a salvaguarda da vida humana. O que a proliferação das redes aos mais diversos níveis provoca nas nossas sociedades é justamente uma mise-en-cause do valor da vida como singularidade, dos princípios individualistas (levados às últimas consequências) que as sociedades ocidentais foram desenvolvendo. O paroxismo com que nos debatemos é justamente esse: face ao individualismo mais exacerbado a anulação do respeito pela vida humana na sua singularidade própria.
Ora a globalização instaura um sistema complexo de redes “paralelas” e paralelas à "rede financeira global" (como lhe chama Manuel Castels) que actuam e adquirem poder intervencional. São elas as redes terroristas, as redes da droga, as redes do tráfego humano, as redes pedófilas, estruturas secretas, mais ou menos clandestinas, espécie de bolsas de actuação disseminadas no sistema, que assolam o social e se cruzam entre si formando uma espécie de hiper-rede com as redes económicas, comunicacionais, políticas, etc. Todas estas redes se inscrevem na rede informacional e beneficiam desta. O universo da comunicação global gerou um deslizamento de conexões infinitas por natureza incontroláveis. O fundamentalismo islâmico, por exemplo, evidencia o obscurantismo mais medievalista aliado ao tecnologismo de ponta, com fins político-económicos determinados (vide, segundo M. Moore, a aliança Bin-Laden/George Bush).
Na verdade, as tecnologias da informação, ao darem azo à proliferação de redes, instauraram por arrastamento, um outro fenómeno que se prende com o lugar do sujeito nessas mesmas redes. O que acontece, é que a rede não entra na categoria de objecto instrumental, no sentido em que não pode mais ser definida como prótese, uma vez que esta, por definição, garante a identidade do sujeito, o que é posto em causa pelas tecnologias digitais que abalam fortemente o lugar identitário dos sujeitos a elas “sujeitos”. A rede captura ou expulsa os sujeitos das suas malhas, tornando-se num agente determinante da própria constituição/desconstrução da identidade. A rede está sempre já lá, são os sujeitos que ora estão ligados, ora desligados. E, nessa medida, ela cria inclusões e exclusões, como os lados positivo e negativo das capturas, de modo a perverter ou inverter as dominações.
A sociedade actual faz prevalecer a rede sobre os lugares. M. Serres, teorizando sobre as redes, constata "a existência de um poder como nunca se viu em nenhuma outra sociedade”, poder que, afirma, “mas não sendo de natureza material, não consigo imaginar que contra-poder se poderá levantar contra ele”.
Ora, esta prevalência significaria não só, a morte do político (em Les enjeux du virtuel, 2001, J.-P. Esquenazi propõe-se demonstrar que a lógica da rede destrói o sistema político das nossas democracias contemporâneas), como ainda, parece-me, a diluição do sujeito enquanto mónada. No entender deste autor, a única possibilidade de não se dar a diluição do sujeito será através da ancoragem das redes aos lugares, ao corpo, que poderíamos traduzir por uma referencialidade das redes (fenómeno que se verifica, por exemplo, na revificação do espaço público). A estratégia de desenvolvimento de uma acção directa no social, ancorando os corpos aos lugares, fortalecendo o local no global, não sujeita a uma lógica binária de aceitação/exclusão é, parece-me, uma solução possível. O marco histórico que se instaura como resposta à globalização é justamente a manifestação, ela também global, contra a guerra do Iraque, a 15 de Fevereiro de 2003, onde uma massa mundial se insurge incorporando e encorpando uma manifestação mundial contra a prepotência americana.
Isto significa ainda que o sistema informacional actual, ao proceder ao apagamento do sujeito, não abole contudo o real que se impõe como retorno. As redes virtuais têm incidências no que chamaríamos o mundo real, assim como a tomada de posição presencial dos sujeitos tem uma força e uma incidência nas redes que poderá vir a fortalecer-se. Não estamos pois na descorporalização do corpo como suplemento ou num devir incorporal do sujeito. Estamos antes perante a carne des-subjectivada, esse grau zero do corpo que sofre, receia, experiencia a dor indizível porque a mais profunda marca da sua natureza de carne. É aí, na ameaça mais gratuita de morte ao corpo que a rede despedaça o real.
Este texto pretende lançar um debate que, penso, se impõe na actualidade.
Paulo Portas tem o mar por destino, o que lhe reforça a portugalidade. Ele já foi o Prestige, que, como se sabe, com a intervenção da Nª Sª de Fátima livrou Portugal do espesso crude que nos ameaçava. Depois seguiu-se aquele episódio surpreendente, em que PP foi bafejado pelos destinos marítimos, in extremis, no acto da sua tomada de posse. O mar tornou-se então para o nosso Ministro da Defesa uma questão de honra, de desígnio. Uma questão transcendente mesmo. Não lhe faltava senão esta invasão das águas territoriais nacionais por ondas de Mulheres (Women on waves)! Aí vai então o nosso ministro, de vento em popa, defender o território marítimo, mas também os mais altos princípios morais da vida, em abstracto (que no concreto aguentam as mulheres).
Valha-nos S. Bartolomeu!
[…] pedindo que me ajudem a decidir visto que apesar da minha autoridade natural de marido e pai não gosto de decidir sozinho, se vamos à praia ou não vamos à praia gozando, por um lado, este sol, este calor e esta ausência de vento que me ajudam a pender a favor da praia, e por outro a suspeita
quase a certeza
que a esta hora e nesta cidade de Lisboa centenas, quiçá milhares de maridos e pais com a mesma ideia que eu se acumulam na estrada e, por conseguinte, a viagem na direcção do mar lenta e penosa derivado às constantes paragens dos veículos, ao cheiro desagradável de borracha queimada, gasolina e gasóleo que os constantes arranques propiciam, aos semáforos que se mantêm vermelhos demasiados minutos e verdes miseráveis segudos apenas, para mais com os automóveis à frente do nosso que tardam em engatar a primeira e o imediatamente à frente pondo-se em marcha com o sinal já amarelo que nos obriga a estacar violentando com escusada dureza a coluna cervical enquanto o carro imediatamente atrás buzina cóleras num ruído de giz, motivo que me permite opor-me com veemência ao automóvel imediatamente à frente o qual se afasta
penso que a divertir-se à nossa custa
numa tranquilidade escarninha, sem contar, uma vez chegados, o tormento de estacionar a viatura num parque improvisado assassino de amortecedores e perigoso para panelas de escape, com a minha esposa e os meus filhos, sobretudo o segundo
o mais velho uma alma hialina que não se rala com nada
a garantirem-me de indicador de fora
- Há um lugar ali
e lugar nenhum, a informarem
- Aquele vai sair
quando apenas abriu a mala no intuito de retirar do interior uma cadeira de lona
por acaso verde
a minha esposa, numa teimosia imprópria
- Pergunta-lhe se vai sair
a negar a evidência da cadeira, aliás articulada, de fabrico recente e não por completo verde, verde e branca, argumento com paciência
com relativa paciência
- Não vai sair gaita veio buscar a cadeira […]
A. Lobo Antunes, “Boa tarde às coisas aqui em baixo”, (pp.527/528)
Festa medieval no Algueirão. Anúncios por todo o lado: imprensa, Magazine de A Dois, e-mails enviados pelo grupo de teatro Utopia. É de ir ver, portanto. Barrracas com petiscos; charlatães; bobos; feira medieval com venda de artesanato. Animação de rua. Verão. Algueirão desconhecido, mas dá-se-lhe o benefício da dúvida. Procura-se Algueirão no mapa, aliás, na saída da IP, como a placa indica, desde sempre. Algueirão - Mem Martins/ Algueirão - Sintra. Há-de ser por aqui. Entrada inóspita, ao fim da tarde, muito antes da anunciada festividade. Bairros que se estendem, novos, com frontões de losangos, em ruas abertas, rectilínias, praça, rua, praça; contorna-se a rotunda com duas oliveiras ao centro; contorna-se outra rotunda, com dois chifres marmóreos. Mais bairros, losangulados, estendendo-se num labirinto rectilíneo. De onde a onde: “Infantário – Inscrições abertas”. Mais bairro, mais rotunda. O mercado ao centro. Abertas inscrições em mais um jardim de infância. Ao todo, contaram-se cinco. Donde, há crescimento demográfico em Algueirão. A terra promete. Talvez ao lado da Igreja. Praça, bairro, este menos acolhedor, de marquises depauperadas pelo tempo, o uso, a má qualidade do material, alumínio, já se sabe. A Igreja de Algueirão Velho é moderna, parecida com o mercado, tirando a torre que a identifica na função. Caía a noite, entretanto. Jardins de infância com inscrições abertas (àquela hora?). Procuram-se os ruídos: festa, som, o som propaga-se; pode chegar-se lá pelo ouvido, pelo cheiro da festa. Vidros abertos. Estrada nacional para a Ericeira, ou regional? Meia volta: rotunda das oliveiras, logo seguida da dos chifres. Igreja. Bomba de gasolina, terceira informação oral. Todas elas coincidindo: Festa medieval? Como a de Vila da feira? Em Algueirão? Vagamente um terreno amplo, disse o homem dos jornais à beira da Estação. 9h30m, noite firme, sem estrelas, em Algueirão. Da linha férrea para a Igreja. Algueirão Velho igual a Algueirão Novo. Nem um cartaz, uma seta improvisada. A Escola silenciosa. Teatro da Utopia? A-topia, talvez. Digam-me que foi engano, que às 10h em Algueirão a festa era rija; que houve quem, sabendo, se tenha divertido pensando estar algures na Idade Média, algures em Algueirão.
Eu, não.
Fogo em Penafiel, fogo em Monchique, fogo na Arrábida, Labaredas a lamber a terra, as casas. Falta de meios humanos e aéreos. A madeira a crepitar. Calor. Vegetação única; mediterrânica, única na Europa, única no mundo. Mão criminosa? Pergunta o repórter a instigar à resposta, tornando fait-divers o que é estrutural. As labaredas em cima das casas. O rebentamento de uma botija de gás. Calor. O incêndio alastra, agora em Monchique, agora na Arrábida, o silvo, o uivo das chamas quando lambem a terra, o horror é o barulho, não o calor. O calor sim, mas aquele silvo, a voragem do vento que se não fosse em chamas era tornado. O betão não arde, Portugal a betão: O que não ardeu no ano passado arde este ano, diz o rapaz à repórter, com ar assustado, horrorizado. A repórter a insinuar: foi fogo posto ? Reduzindo à contingência um problema esssencial. A labareda lambendo a terra que por não ser de betão ainda arde. Para o ano não vai arder, o betão não arde e não haverá mais nada para arder, o fumo a cortar a vista, a entrar pela garganta, num ápice.
O silvo das chamas do inferno dantesco. Preferem o inferno de Dante ao dilúvio de Noé? Porque não se apaga o fogo com o degelo? O icebergue que faz subir o volume das águas. A costa a diminuir e o fogo a comer a terra, a floresta, numa voragem de vento, a madeira a crepitar, o estrondo – uma explosão de botija de gás. Não há meios aéreos suficientes. Os submarinos do Portas para a defesa nacional? Ah! Ah! E o país a arder. Mão criminosa; a polícia judiciária já está a investigar. É incontrolável neste momento. Esperam-se reacendimentos durante a noite. Não há meios humanos. A tropa não apaga incêndios defende a NAÇÃO!
O degelo, porque não a água do degelo? Onde ela falta, onde há demais… Mão criminosa? Transformando o estrutural no acidental, Dante em Noé. As chamas, o cheiro irrespirável. A asfixiar. O terrível dos incêndios é a asfixia, não o silvo, não, as chamas, labaredas enormes, gigantescas, dantescas. Mão criminosa? Tudo aponta para fogo posto. Portugal em betão, o plano para o futuro que não arde, já não há para arder. O que não ardeu no ano passado arde este ano!
- Olha o meu post que assim não é lido, foi o fogo, saltam todos rebentam, o silvo, a voragem da labareda.
O pior é o fumo na garganta, não, o silvo, o ruído que vem por trás da serra. Olha o meu post também não é lido. É o fogo, o posto, incendiário. O fim do mundo.
O fogo dantesco, a encher o post d’Azul, do José Rebelo, do Nuno Marques, há muito espaço para arder.
Mão criminosa? A polícia judiciária, contactada? A devolver em policial o que é estrutural. Não há políticas de ambiente. Náo há meios aéreos. A tropa cá fora a patrulhar? Está, não está? As labaredas mais altas. O estouro seco da madeira a arder. Não há água. Nunca haverá água suficiente onde há fogo. O betão arde? Portugal a betão, então! O degelo, a comer a costa.
O INTERIOR A ARDER. A VORAGEM DA LABAREDA DANTESCA A LAMBER A TERRA NUMA DESOLAÇÃO DE CINZA.
Fogo posto? Basta um animal, coelho entontecido a fugir em chamas. E o/a repórter a transformar o destino em fait-divers. Metade vítimas, metade criminosos,
- Olha o meu post a ser comido pelas chamas. Não faz mal, este é pel’Azul, este pelo Rebelo, este pelo Nuno.
A terra a arder, a doer. A Grécia solidária. Com 40s graus à sombra a mandar meios aéreos. É que o Cannader caíu à margem. Acidente? Sim acidente. Espera um reboque. Não houve vítimas. O socorrente socorrido. Portugal a arder o post a lamber posts. O crepitar. Não, o uivar do fogo é mais dantesco que o próprio calor em brasa. Só o ruído, não as chamas, mas o fumo que cega, o fumo que, pela garganta abaixo, impede a respiração que no entanto é vital. As políticas de ambiente? A reforma do sistema de combate a incêndios? Portugal de betão não arde. A protecção civil? Fogo posto? Pergunta a repórter simplificando a narrativa. A terra em chamas. Não, eram as bombas dos antigos combatentes! Mas essas rebentaram todas no ano passado!
As labaredas por dentro das casas. Não havia gente no interior. O governo a tomar medidas só em Junho. O degelo, o icebergue avançando e não se poder abafar as chamas com tanto gelo que derrete!
- Fogo posto? Madeireiros? Não, a madeira que sobrou do último ano está ainda amontoada, combustível para este ano! A defesa nacional precisa de submarinos!
- Outra vez? Não estará a repetir-se? (é à Lobo Antunes, que querem!)
- O raio do post que não acaba! - Mas não faz mal, são férias, ninguém lê. E depois Portugal a arder é a própria concretização do inferno de Dante, ao vivo, sem efeitos especiais. Nós todos no betão; é que o betão não arde.
- Já li isto lá em cima e estás a estragar o blogue, com tanta repetição. - Mas ‘tá tudo de férias! Ninguém lê isto. E depois os posts d’Azul? Do Rebelo? Do Nuno? Estou no espaço que eles não ocupam, e não há tempo de antena! E se todo o telejornal é ocupado pelos incêndios…
Arrábida, vegetação única. A serra em cinza. Em Monchique chegou às casas de habitação, o gado está a morrer. Penafiel, freguesia de Regadas, que nem o nome a salvou! O betão não arde? Quem disse? E preferem então o degelo, do aquecimento global?
- Quando acabas com esta m…? - É que não sei acabar. Os incêndios não estão extintos, há reacendimentos: mão criminosa. Qualquer coelho incendiado leva as chamas, em chamas de um lado para o outro e é impossível controlar….
Se Portugal em betão, nada disto acontecia. Ou preferem Noé? Ou Dante ou Noé. Não, S. Paulo apocalíptico. A civilização. Portugal a arder. A serra de Sintra também, que pensam? Um fogozito aqui, outro acolá, de pequenas dimensões, mão criminosa, já se vê, comenta a jornalista. Para o ano não há mais. Onde era um pinheiro é eucalípto. O papel. Mas agora é tudo virtual! As fábricas de celulose, já se sabe. Eucaliptais é como o betão. Quer dizer, é o que está a dar. E depois o papel, sempre se gasta. O papel no terceiro mundo, os incêndios no terceiro mundo. Não há meios humanos. Os bombeiros em herois, sem carros: - Estamos a combater este incêndio rural com um carro urbano. - Muito bem! Mão criminosa? - Não posso adiantar, o caso está entregue à judiciária.
- Quando é que isto acaba? Alastra. Pega-se de um lado para o outro. O ribombar do rebentamento da botija. Os festejos das freguesias, os foguetes a seguir aos incêndios, alternando, o fogo das romarias difere do fogo posto, porque o primeiro diverte toda a gente. Mas também pega. A cana caída, ainda acesa: - começou lá atrás naquela moita. - Não senhora, não foi posto, caíu alí, está a perceber? Era de artifício, não era posto. - Mão criminosa? - Não, era o rapaz filho do Presidente da Junta, que andou a ajudar à festa e agora lançou os foguetes. Acidente? Incidente? Não, estrutural. Não tem remédio. Quais políticas de ambiente? Qual ambiente? A labareda a varrer num ápice o que era floresta. Centenária, mediterrânica, única na Europa!
- Sim senhora, acaba aqui, mas já ninguém mais vai ler este blogue. O fogo, as chamas. Ouçam bem: as labaredas dantescas que não são só calor! E o silvo? O estrondo assustador? O uivo? A voragem da terra lambida pelo fogo! Em cinza, tudo em cinza…O silêncio queimado do carvão-tição.
Muito se tem especulado sobre a decisão do PR relativamente à crise política aberta por Durão Barroso. E há, nessas especulações, uma suspeita de que, apesar de tudo, o PR perfere a via da substituição à via da eleição. Ora o PR tem um curriculum conhecido dos Portugueses o que, aliás, o levou a assumir o cargo que ocupa. Ele é o garante da democracia, sem demagogias, sem jogos de interesses, sem abandalhamentos. Suspeitar que estas garantias possam estar em causa é pensar que se podia ter eleito, em vez de Sampaio, o Sr. X, Y ou Z, numa equivalência niveladora e neutralizante. Sampaio tem a seu cargo uma decisão individual mas que é fruto de uma responsabilidade assumida perante os Portugueses. Face à rejeição que os jogos partidários provocam numa opinião pública alargada, Sampaio só pode ser o garante do pilar da democracia que é a salvaguarda da própria dignidade das instituições. Por isso confio em Sampaio.
O grau de urbanidade das cidades contemporâneas mede-se pela capacidade que elas possuem de permitir a mobilidade dos cidadãos, quer no seu interior quer para o exterior. Assim, qualquer política que actue no sentido de aumentar os fluxos, de os tornar mais céleres, mas também mais maleáveis, é bem-vinda. A gestão dos fixos e dos fluxos agiliza as cidades, torna-as mais ou menos habitáveis e, sobretudo, mais conviviais. Daí que desde há muito se imponha uma medida de integração dos bilhetes dos transportes colectivos urbanos e suburbanos que permita potencializar a mobilidade, aproximar espaços, levar os utentes a operar variações e ligações entre transportes com o mínimo de esforço e de custo. Hoje, porém, a notícia é outra: descobriu-se que a justiça ainda não tinha chegado aos transportes públicos e o ministro da tutela inventou esta coisa brilhante que é a “discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente”, tal como se anuncia na imprensa.
E pergunta-se: será esta uma forma encapotada de subir o preço dos passes sociais? Trocando por miúdos, que donos de Mercedes irão pagar a tarifa máxima convivendo fraternamente com aqueles que, por não possuírem automóvel, estão mesmo condenados aos passes sociais? Ou o Governo tem dúvidas sobre o leque de rendimentos dos utentes dos passes sociais?
Tanta demagogia e tamanha incompetência deprimem!
Todos em geral e cada um em particular tem orgulho, tem brio na sua padaria, digo, a padaria do seu bairro, da sua rua, aquela que fabrica um pão inimitável, que recordamos com água na boca quando nos ausentamos do nosso cantinho e que nos faz sentir aquela inexplicável e tão portuguesa saudade (é que percorrendo outros países nos damos conta de quão diferentes são as outras padarias; daí o ditado: “cada qual tem o pão que merece”)! Sabem a importância do pão na formação das nossas mentalidades. O pão consegue ser ao mesmo tempo metáfora e metonímia do universo nacional. Os políticos apregoam que a educação é o “pão prá boca” da juventude; nós sabemos que os construtores civis são o “pão prá boca dos autarcas” e por aí fora. Mas o pão é ainda metonímia de outro qualquer alimento "o pão nosso de cada dia!". Assim constatamos quanta poesia existe no pão, para já não falar na sua diversidade lexical, da carcaça ao papo-seco (termo também muito usado para caracterizar saídas intempestivas, abandonos à má fila, e por aí fora).
Mas voltemos à minha padaria! A padaria do meu bairro é inconfundível, embora pertença, como disse, ao género bem nacional. Tem uma atmosfera alva, essa pureza que lhe dá o mármore antigo, só avivado pelas grades metálicas que sustentam a enorme variedade de pão. Mas não se fica por aqui a sedução que ela exerce sobre mim. Houve um tempo em que a minha padaria aliava a venda do pão a outros géneros (alimentícios, claro) que vão sempre bem com o dito, como seja, embalagens de óleo fula, garrafas de vinagre cristal, latas de feijão branco e frade e também de atum general que, discretamente arrumadas a um canto, serviam aquele cliente mais precisado, para já não nomear a clássica planta. De bolos, nem se fala: a minha padaria tem um exemplar de cada qualidade, fora os outros, os da véspera, já em tabuleiro devidamente separado. A montra exibe um cesto em plástico, forrado a guardanapo de papel, com biscoitos da categoria dos últimos bolos atrás mencionados.
Ao balcão, a padeira da minha padaria não se limita a servir clientes, que os fluxos não são sempre certos. Não, junto à máquina registadora, ela guarda ciosamente o seu livrinho de palavras cruzadas, que, como todos sabemos, aumenta o vocabulário dos portugueses, colocando os termos em contexto, dimensão que nem todos os dicionários fornecem.
À tarde, quando me dirijo à minha padaria, o meu coração está sempre suspenso desta incógnita: estará aberta? Porque nem sempre abre… Um dia, perguntei à padeira qual, afinal, o horário de abertura vespertina. Manifestando uma grande admiração, ela respondeu-me: Depende! Depende das sobras! Quer dizer que se o pão for todo vendido de manhã, será desnecessário abrir as portas à tarde. Assim se regula o mercado das ofertas e das procuras. Quem precisar de pão pode dirigir-se à loja de conveniência mais próxima! Já viram maior propriedade do que uma loja chamar-se de conveniência? Ela está lá no exacto ponto das nossas necessidades!
Podia ler-se no Público de ontem que “o secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica (OCI), Abdelwahed Belkeziz, denunciou o que definiu como o profundo atraso do mundo islâmico”. Estas notícias caem sempre bem quando os ânimos estão acesos e tanto se fala de guerra de culturas VS guerra de civilizações. É claro que a política desastrosa de Bush, aliada à política desastrosa de Sharon para isso muito contribuíram. É claro que o terrorismo é, a todos os títulos, condenável, embora fosse preciso aplicar uma grelha de análise mais fina, que permitisse distinguir entre o terrorismo gratuito e fundamentalista (talvez seja um paradoxo) do assim denominado terrorismo palestiniano que é manifestamente de outra ordem, parecendo-se mais com movimentos espontâneos e incontroláveis de guerrilha tendo por finalidade a defesa e apropriação de um território, a independência e a formação de um estado.
Mas a questão ainda não é essa. Para aqueles que, na Europa, criticam as posições do estado americano, e do estado israelita, que aproximação têm feito ao mundo árabe? Que diligências, que diálogo se tem procurado estabelecer? Que força poderia surgir de um encontro de ideias, de uma comunhão de pensamento que permitisse outras clivagens que não essa, já gasta, de Ocidente VS Mundo árabe? Estaremos adormecidos ao ritmo da América busheana? Quem ouviu o que, por exemplo, Amin Malouf tem para dizer? Não continuaremos a ser ainda e sempre, do alto da bem-aventurança de esquerda, eurocêntricos? Não seremos todos, antes de mais, cidadãos do mundo?
..."Fazemos por vezes como se as pessoas não se pudessem exprimir. Mas, de facto, não páram de se exprimir./.../ A estupidez nunca é muda nem cega. De tal maneira que o problema já não é fazer com que as pessoas se exprimam, mas de lhes proporcionar vávuolos de solidão e de sil~encio a partir dos quais pudessem ter enfim qualquer coisa a dizer".
..................................................................................Gilles Deleuze
É preciso chegar ao acontecimento sublime, a morte de Sousa Franco, para pôr termo à mediocridade de uma campanha e da forma de fazer política em geral.
Resta o silêncio e que nele se repense a cidadania.
A coisa começou por ser imperceptível, quer dizer, apercebia-se mas não suscitava qualquer interrogação. Lombriga comprida, a coisa tomava forma. Assim parecida com aquelas trincheiras da I Guerra Mundial feitas de sacos de areia empilhados, a coisa crescia no sentido longitudinal; não que se parecesse com o muro-de-berlim, não chegou a tanto, mas intrigava. Com o andar dos meses, a coisa estendeu-se e enrolou-se numa espécie de espiral estreita, ladeada por corrimões em aço, agora mais parecida com uma mega prancha para mergulhos no vazio – para sentir a insustentável leveza do corpo –? ou uma plataforma para ovnis? ou um excêntrico helioporto? A coisa agora parou e deixou de intrigar, passou a inquietar mesmo… Para mais, ocupando um terreno que Santana Lopes, na determinação do seu início de mandato (lembram-se?), havia mandado terraplanar por ser a entrada nobre de Lisboa. É que existia, em construção no local, um edifício de renda económica que punha os nervos do recém chegado à direcção da autarquia em franja. Agora, o enigma instalou-se; ou serei eu a única pessoa a não saber do que se trata?
Já tínhamos o sanitário do Almada, do outro lado! Chegava.
A coisa situa-se na descida das Amoreiras para o Viaduto Duarte Pacheco, à direita, depois da bomba de gasolina GALP. Aceitam-se informações, esclarecimentos ou palpites. Espero com ansiedade resposta ao enigma.
Aqui há alguns dias, lia-se no Público o seguinte: “A embaixada do Japão em Lisboa vai comemorar a chegada dos portugueses ao país do Sol Nascente com a construção de um jardim japonês à beira do Tejo,/…/. Nesse novo espaço verde da capital portuguesa serão plantadas 461 cerejeiras (árvores nativas do Japão), isto é, uma por cada ano de relacionamento entre os dois países.”
Só mesmo os japoneses para nos oferecerem um jardim, ou uma miríade de pássaros de papel, como os que povoavam o pavilhão nipónico na Expo 92! O cúmulo da sofisticação coincide neles, total despojamento, com o silêncio branco das suas figurinhas de papel, arte milenar, ou das cerejeiras em flor.
Paragens no turbilhão da cidade, os jardins são oásis, lugares onde é possível respirar, suspirar, suspender o ritmo, meditar, sentar; sentir a frescura de uma sombra, um raio de sol batendo de chapa no rosto, um perfume pairando no ar, um cão por perto.
Há uma tensão que esmorece: o Outro deixa de ser aquele que me vai passar à frente no trânsito ou na repartição pública, no hipermercado ou no consultório médico, para ser o semelhante que me inunda de paz ou estranheza, admiração ou o que for que o coloque face a mim: vizinho ou desconhecido. É que, num jardim, os desconhecidos deixam de fazer parte daquela massa anónima para se singularizarem. Ouvimos chamar por um nome – sorrimos. Há diálogos sussurrados, entrecortados - adivinha-se um enredo. Todos os seres são passíveis, num jardim, de se tornarem personagens do romance que os outros lhes atribuem. Que papéis já desempenhou cada um de nós, no recato silencioso de um jardim habitado? Que outras histórias teremos vivido sem delas termos sequer suspeitado?
Mas mal se abondona o jardim, quebra-se o sortilégio…Voltamos a ser autómatos nas filas infinitas por onde se esgotam as nossas vidas.
Na terra onde nos habituámos a ser todos estrangeirados por múltiplas razões históricas e actuais entre as quais se realça o défice, a iliteracia, a pedofilia, eis um italiano que quis ser português! Na terra em que até o Almada, invocando o Dantas, quis mudar de nacionalidade!
Obrigada Tabucchi. Já tínhamos apreciado a luz que deste a Lisboa, a melancolia pessoana que conferiste ao Pereira, agora ofereceste-nos o teu “sonho de sonhos”, transformando-o num sonho comum como o fizeste, entre tantos outros, para Dédalo no seu labirinto.
Juro que vamos todos procuraqr-te, ler-te, com-patriota, con-cidadão; a ti, irmão.
E quedamo-nos a pensar como a natureza é antes de mais simbólica, como a natureza não é um destino ou uma origem, mas um acto de vontade, uma acção. Haverá algo de tão natural como o naturalizar-se?
Paulatinamente, Lisboa vai sendo invadida por lojas chinesas. Após a vaga dos restaurantes, elas aí estão. Ocupam antigas agências bancárias, antigos cafés, situam-se a distância regular; de modo que assistimos, em cada rua, em cada bairro, em cada praça, à abertura, da noite para o dia, de mais um espaço comercial, um mini-hiper-mercado onde se vende tudo: do sabonete à túnica em jersey, da vela de cera à espada em plástico dourada, da fonte luminosa para centro de mesa aos brinquedos a pilhas para criança. Tal como as grandes superfícies comerciais, têm horário de abertura dilatado. Onde se fabricam tais objectos? que mão de obra é requisitada? Como e a que preço? Quem controla e gere este mercado florescente? Que rede está por trás destes comerciantes? Para que serve a quase totalidade da quinquilharia que nelas se vende? É que aqueles produtos são uma nova forma de poluição e deveriam trazer já o símbolo do respectivo “vidrão”.
A última em que reparei ocupa as instalações da ex Livraria Francesa, na Marquês de Tomar.
Mas basta de chinesices: o Institut Franco-Portugais acolhe, desde há uma semana, a Nova Livraria Francesa!
“Cidades, Esquinas” é o título, algo surpreendente, de uma das quatro exposições patentes no Forum Barcelona 2004. Pensar a cidade como espaço do viver em comum e da cidadania passa, é claro, por definir as suas configurações estruturantes. A esquina é realmente, um lugar crucial de intersecção, um lugar de encontro, um lugar de abertura ao novo, ao outro, ao cruzamento. A cidade propicia a proliferação de esquinas, porque desenvolve esse emaranhado de trajectos que se cruzam. Ora, toda a esquina im/pro-põe a dúvida, a paragem, ou, pelo menos, o abrandamento da marcha. Uma esquina dá, pois, sempre, que pensar. Dá que falar, também. As pessoas encontram-se às esquinas, e os passeios contornam-se nesse aglomerado de gente que, de repente, suspendeu o ritmo alucinado do andar para saudar o amigo que não via há anos. Uma esquina torna-se assim o próprio lugar de reencontro com o tempo.
Conta-se que uma brasileirinha do Sertão, muito lá de dentro da sua cidade natal, chegada de repente a Brasília, declarou, ao fim de um mês de tal experiência: “Quero ir-me embora! Esta cidade não tem esquinas!”
Para a organização deste Forum, pensar a cidade coincide com aquele sentir tão espontâneo.
Forum Barcelona 2004
Reflectir sobre a emergência do mal no humano, sobre a condição humana indissoluvelmente ligada à existência e resistência do mal, não tem nada de novo. Tal reflecção sobre o mal não pode contudo descambar na banalização deste. Ora, verifica-se um resvalamento dessa inevitabilidade do mal, para uma espécie de justificação ou admissibilidade da sua manifestação. Afirma José Manuel Fernandes, no Público de ontem, referindo-se ao tratamento obsceno e humilhante perpetrado por militares americanos e britânicos contra os prisioneiros iraquianos: “Acontece porém que aquilo que distingue as democracias das ditaduras é que, nas primeiras, quando estes casos têm lugar, os seus responsáveis são identificados, investigados, julgados e condenados”, enquanto que: “Nas ditaduras, em contrapartida, a tortura é parte da sua "normalidade", não é noticiada pelos jornais e televisões e os responsáveis políticos não são chamados a dar explicações.”
Ficamos aliviados ao reconhecer que o aviltamento dos presos iraquianos se deu no quadro de um regime democrático!...
Os movimentos anti-publicidade estão activos em Paris, como refere uma reportagem no último número da Única – Expresso. Não se passa o mesmo por cá…
Há já algum tempo que os transportes públicos em Lisboa cederam às pressões publicitárias e se vestiram de marca. Tomar um eléctrico não consiste já em entrar para uma dessas carruagens amarelas, tão emblemáticas da cidade, mas antes, em introduzir-se no interior de uma garrafa de coca-cola, ou de uma embalagem de kit-kat, ou dentro de uma garrafa de wisky, ou mesmo num telemóvel. Enfim, a diversidade até poderia ser um factor de criatividade urbana, contudo trata-se de publicidade invasora, de uma ditadura da imagem publicitária que alastra por toda a cidade e não deixa um metro quadrado que seja, uma empena de casa, uma colina verde, sem cartaz, sem anúncio, sem marca. Somos constantemente hipnotizados, subjugados, cegados pelas imagens que, para além de prenderem o olhar, ofuscam o que as circunda. A cidade está, portanto, menos visível porque se impôs a (sua) imagem. O conceito de poluição sonora, adquirido e regulamentado, deveria estender-se à imagem. Porque silenciosa, a imagem é ainda mais avassaladora. A cegueira, hoje, não se define já pela incapacidade de ver, mas antes pela incapacidade de deixar de ver imagens. A imagem substitui o real e por isso a campanha da CML pode substituir, com sucesso, as suas próprias beneficiações. É que já ninguém repara nelas, só a imagem conta…
E depois, como pode um eléctrico chamar-se desejo, se o desejo se deixa consumir nos pequenos objectos? Frustrante, não?
Alguém já reparou que Lisboa está mais bonita? Alguém já reparou que há cartazes espalhados pela cidade fazendo reparar no embelazamento da cidade? Alguém já perguntou quanto custa e para que servem estes cartazes? É que: se Lisboa está cada vez mais bonita, então é provável que o cidadão repare. Se Lisboa está a mudar, para melhor, e ninguém reparou, das duas uma, ou a mudança não é visível, ou o estado depressivo geral não permite ler e gozar essa mudança. Mas, alguém já reparou que a força do cartaz não está na constatação mas antes na performatividade da própria pergunta? Tal pergunta implica a aceitação da resposta, implica uma resposta dada à partida. Contudo, não ficamos por aqui, em matéria municipal. Um anúncio público, entretanto editado por alguns jornais, convocou uma manifestação de apoio ao presidente, frente ao edifício da CML, a propósito do diferendo do túnel das Amoreiras. O Presidente, comovido, agradeceu, e pediu encarecidamente para que tal não acontecesse…
Realmente, Lisboa está a mudar; viver em Lisboa é não parar de se surpreender…
Abébia- ajuda que se presta a alguém;auxílio; informação ou indicação boa, útil;dar uma abébia – fazer uma observação, dar uma oportunidade; prestar uma informação, ensinar algo que ajude a realizar algo (Dicionário Houaiss).
Move-nos o mesmo espírito de intervir no espaço público, dando voz à crítica, ao debate, à reflexão. Vozes múltiplas.
Abriu.
(Assinaturas) Azul. Eduardo Graça. José Rebelo. Marienbad. Nuno Marques. Paulo Godinho. Porfírio Silva. Sempre à coca.

(Foto do Arquivo Electrónico do Centro de Documentação 25 de Abril)