Finalmente, após três ocasiões perdidas – o Campeonato do Mundo de 1966 e os Campeonatos da Europa de 1984 e 2000 – a selecção portuguesa de futebol consegue alcançar a final de uma grande competição internacional.
Curiosamente, apesar de todo o valor que os jogadores portugueses têm revelado em campo, esta é de todas as vezes em que se chegou a uma meia-final aquela em que a intervenção do sobrenatural parece estar mais presente: o seleccionador nacional afirma não abdicar da sua Nossa Senhora de Caravaggio e revelou mesmo que Figo não lhe fica atrás, invocando a portuguesíssima Nossa Senhora de Fátima; Eusébio não larga a sua toalha da sorte que se terá revelado decisiva, nomeadamente nos penáltis contra a Inglaterra; e hoje, pela boca do próprio, ficámos a saber que o (ainda) primeiro-ministro Durão Barroso também tem a sua gravata da sorte, com as cores nacionais, que apenas não terá funcionado no jogo contra a Grécia porque o (quase) novo presidente da Comissão Europeia se esqueceu de a usar durante a primeira partida da selecção.
Temo, infelizmente, que a gravata venha a perder as suas capacidades sobrenaturais com a formalização do pedido de demissão do seu proprietário das funções de primeiro-ministro de Portugal.
Se Durão Barroso apresentar a demissão antes de domingo e nós perdermos a final já sabemos de quem é a culpa!
Santana Lopes afirmou hoje que mesmo que seja eleito presidente do PSD isso não implicará a sua saída da Câmara Municipal de Lisboa. Imagino que com estas declarações Jorge Sampaio vai parar com as suas consultas a diversas personalidades e declarar inequivocamente que não convocará eleições antecipadas e que irá convidar o PSD a indicar o novo primeiro-ministro. Basta recordarmos que há sensivelmente uma semana Durão Barroso também garantia aos portugueses que não era candidato à presidência da Comissão Europeia.
Não é um detalhe que possa encontrar solução num arranjo de bastidores quando todos sabemos que "a própria política é feita da mudança dos homens". E esta mudança é demasiado estruturante da própria política para não ser legitimada pelo mais nobre dos mecanismos da democracia representativa: o voto popular.
"Curioso. Historiadores inteligentes investigando a história de um país empregam todas as suas forças a preconizar tal política, realista por exemplo, a que se devem, segundo lhes parece, as maiores épocas desse país.
Apontam eles próprios todavia que esse estado de coisas não pôde durar porque imediatamente um outro homem de Estado ou um novo regime vieram e tudo estragaram.
Nem por isso deixam de defender uma política que não resiste à mudança dos homens, enquanto se sabe que a própria política é feita da mudança dos homens. É que só pensam ou escrevem para a sua época.
Alternativa para os historiadores: cepticismo ou uma teoria política que não dependa da mudança dos homens (?)."
(Albert Camus, "Cadernos" - Caderno nº 4 - Janeiro 1942/Setembro 1945 - Livros do Brasil)
Mas o governo não integrou, salvo os líderes de ambos os partidos, nenhuma das personalidades que, durante a campanha eleitoral, foram apontadas como futuros ministros. Nem António Borges, nem Dias Loureiro, nem outros que foram insinuados, ou mesmo apresentados, como valores seguros.
O governo de Durão Barroso é fraco e incompetente. A equipa que Durão Barroso reuniu no governo foi fortemente condicionada pela coligação com o PP. Estes dois anos de governo mostraram que o PP é um partido predador. O Dr. Durão Barroso abandonou, à primeira oportunidade, o governo porque percebeu que não seria capaz de o remodelar sem se desembaraçar do PP.
Os quadros social-democratas competentes, que qualificariam um governo de centro direita, nunca integrarão um governo de coligação com o PP do Dr. Paulo Portas. Os governos de coligação PDD/PP, mesmo que resultem de uma inverosímil "iniciativa presidencial", serão sempre governos fracos e incompetentes.
A tendência, no caso da formação de um governo assente na actual maioria, é para a qualidade baixar ainda mais. A competência do governo está na qualidade das mulheres e dos homens que o compõem. Qualidades humanas, políticas e técnicas. O governo de Durão Barroso está repleto de gente sem qualidade humana, sem tacto nem experiência política e eivado de incompetência técnica.
É difícil baixar ainda mais o nível mas Santana Lopes, se for primeiro-ministro, com ou sem eleições, vai conseguir. O primeiro a perceber esta realidade é o Dr. Jorge Sampaio. Durão Barroso não sei se percebe mas, em Bruxelas, não terá que escolher os comissários. O Dr. Santana Lopes tem como tradição escolher equipas fracas e incompetentes. Para ele é-lhe indiferente o governo que chefiar pois pensará sempre "no lugar que se segue".
A citação do dia:
"Montesquieu. "Há imbecilidades de tal quilate, que seria preferível uma imbecilidade ainda maior.""
(Albert Camus, "Cadernos" - Caderno nº 4 - Janeiro 1942/Setembro 1945 - Livros do Brasil)
“Sempre à Coca”, tal como todo o praticante da desgastante arte de ser português, tem qualquer coisa de esquizóide. Nesta disfunção do foro psíquico, euforia e depressão sucedem-se em catadupa e a velocidade estonteante.
Por exemplo: à alegria provocada pela debandada de Durão Barroso, sobrepôs-se a neurose motivada pela hipotética chegada a S. Bento de Santana Lopes. Tudo nos acontece!
Após dois anos de caos meticulosamente estabelecido em sectores fundamentais da sociedade (entre os mais atingidos encontram-se a saúde, a educação, o emprego e a segurança social), eis-nos confrontados com o “golpista” Lopes, segundo a designação que lhe é atribuída comummente por correligionários insignes.
E como um mal sempre se faz acompanhar, “Sempre à Coca” teme pela renitente persistência de Portas (Paulo) que, tudo indica, se prepara para uma recaída, desta vez na área dos Negócios Estrangeiros. O moço merece, sobretudo se se tiver em conta a empolgante política cometida no Ministério da Defesa (esta aqui é mesmo brejeira e por isso dedicada ao Porfírio), por contraposição à sedosa actuação de Teresa Gouveia.
“Sempre à Coca” confessa-se muito e benevolente apreciador de Teresa, bela representante da mulher e da diplomacia portuguesas, por contraposição a Portas (Paulo) péssimo exemplar do homem luso. Ou, como diria o saudoso João César Monteiro, “tiram a Mona Lisa, para pôr um mono luso”…
Se Guterres se ausentou sabe-se lá para onde, se Barroso vai por essa Europa afora sem dar “cavaco”, se o País se prepara para enfrentar um primeiro-ministro “nascido” de um “golpe de estado”, se o mundo corre o perigo de construir uma imagem de Portugal em função de Portas (Paulo) … porque não pode o povo português mudar o país, através, por exemplo, de eleições democráticas?
Ao fundo do imenso túnel em que Santana gostaria de transformar o País, poderá surgir a luz do Presidente da República, Jorge Sampaio, cidadão eleito por sufrágio directo e universal. Com o cherne de partida, sigamos a democracia.
Super Abébia de Platina para o cidadão anónimo que se lembrou de convocar por telemóvel uma manifestação para Belém, em defesa de elementaríssimos direitos da democráticos.
Super Abébia de baquelite para os partidos da oposição, pela contumaz incapacidade de se unirem, para unanimemente exigirem eleições legislativas antecipadas.
Não falo de formalidades mas da coisa em si mesma. Tomando em consideração a ideologia de juventude do "putativo futuro" PCE a primeira condição do "bom governo " é a do timoneiro ou, na linguagem mais vernácula do maoismo, a do "grande timoneiro".
O "bom governo" carece de um "bom primeiro-ministro". As suas qualidades intrínsecas não são, no entanto, suficientes pois, em regime democrático, a bondade do líder carece de ser sufragada pelo povo. É a maçada das eleições.
Nas ditaduras um grupo de conjurados impõe, a golpe, o "chefe", enquanto nas democracias representativas, os eleitos são uma emanação do sufrágio popular.
Em democracia as escolhas não resultam das qualidades intrínsecas do "chefe" exaltadas pelo apoio "unânime" dos seus apaniguados. Este é o modelo populista que se aproxima tanto mais da ditadura quanto a democracia é transformada aos olhos das massas numa desnecessidade por "não resolver nada" ou "por não valer a pena votar" (quantas vezes já ouvimos estas palavras nos últimos dias!).
A verdadeira democracia exige a coragem tranquila dos homens que querem ser livres e estão dispostos a correr o risco de lutar pela liberdade.
A citação do dia:
"Há sempre uma filosofia para a falta de coragem."
(Albert Camus, "Cadernos" - Caderno nº 4 - Janeiro 1942/Setembro 1945 - Livros do Brasil)
A vida de Santana Lopes começa a complicar-se dentro do próprio PSD.
Leio quase sempre os "Cadernos" de Albert Camus mesmo quando leio outro livro qualquer. Nestes dias de descrença na capacidade dos homens para encontrarem as boas soluções de governo nada melhor do que estarmos atentos. Não podemos tomar as medidas que desejamos. Outros as tomarão por nós.
As ditaduras afastam os povos da responsabilidade da tomada das decisões. Lembro-me do discurso da falta de maturidade do povo para votar. Quanto menos for chamado a pronunciar-se acerca das grandes questões nacionais, em particular, as escolhas de governo, mais o povo se sentirá afastado dos desígnios da democracia.
Confiar? Desconfiar? O povo desconfia. Terá razão? O populismo espreita. Delegamos o poder através do voto. Será que nos vão devolver o poder, em tempo útil, para escolhermos de novo? Uma só partícula de poder a cada um de nós. Mas o suficiente para que nos sintamos reconfortados por termos influenciado as escolhas que comprometem toda a comunidade.
Não é o tempo oportuno? Mas se não escolhermos a participação popular, mesmo quando a mesma parece excessiva, estamos a abrir o caminho aos populistas. Os populistas fingem que usam o poder para servir o povo mas servem-se dele para alcançar os seus objectivos particulares.
Aqui estão as citações do dia. A continuar.
""Tudo o que não me mate torna-me mais forte." Sim, mas…E como é duro pensar na felicidade. O peso esmagador de tudo isso. O melhor é calarmo-nos para sempre e voltarmo-nos para o resto."
""Retz: "Com excepção da coragem, o senhor Duque de Orlèans tem tudo quanto é necessário a um homem honesto""
(Albert Camus, "Cadernos" - Caderno nº 4 - Janeiro 1942/Setembro 1945 - Livros do Brasil)
A edição de ontem do Telejornal da RTP-Madeira abriu com a notícia de que o novo quadro político, decorrente da ida de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, poderá abrir novas perspectivas na carreira política de Alberto João Jardim.
A primeira hipótese será uma dupla Santana Lopes/Alberto João Jardim a nível governamental – sem que seja explicado o papel concreto a desempenhar por Alberto João – com o propósito de "ambos meterem o país na ordem" (sic). As duas restantes hipóteses serão a ida de Alberto João para comissário europeu ou, com a retirada de Santana Lopes da corrida presidencial, a candidatura de Jardim à sucessão de Jorge Sampaio.
Se dúvidas houvesse sobre o estado de loucura quase generalizada a que estão a chegar as coisas para as bandas do PSD, esta notícia é mais um bom exemplo de como só a convocação de eleições antecipadas poderá devolver alguma dignidade à vida política portuguesa.
Jorge Sampaio encontra-se provavelmente face à mais difícil decisão dos seus dois mandatos como Presidente da República. Caso Durão Barroso deixe o Governo e vá ocupar o cargo de presidente da Comissão Europeia, deve ou não deve o PR dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas?
Do ponto de vista formal parece não ser a isso obrigado pois, em qualquer eleição para a Assembleia da República, os eleitores limitam-se a votar para eleger os deputados do respectivo círculo eleitoral – que se encontram em pleno exercício dos seus mandatos – não votando directamente para eleger o primeiro-ministro. Mas esta é "apenas" a situação formal. Quantos eleitores, ao votarem numa eleição para a Assembleia da República, conhecem o cabeça-de-lista do partido em que votam, no seu círculo eleitoral? Se permitimos que as campanhas eleitorais sejam estruturadas e disputadas tendo como quase únicas referências para os eleitores as propostas eleitorais e os candidatos a primeiro-ministro de cada partido, será legítimo esquecer este facto quando nos encontramos face a uma situação como a que Jorge Sampaio enfrenta neste momento?
Nunca nos trinta anos de história da democracia portuguesa se verificou um tão grande desfasamento entre o que um partido prometeu ao eleitorado e o que efectivamente realizou à frente do Governo, como sucedeu com o PSD presidido por Durão Barroso. Será razoável que Jorge Sampaio permita que aumente ainda mais o desfasamento entre o que levou os eleitores a escolherem o PSD para governar e o que efectivamente aconteceu após as eleições, permitindo que não só sejam ignoradas as promessas eleitorais como que até o primeiro-ministro seja um outro, não sujeito ao sufrágio popular?
Jorge Sampaio tem expressado inúmeras vezes a sua preocupação com a participação democrática dos portugueses. Se permitir – refugiando-se nos argumentos formais – este pequeno "golpe palaciano" Sampaio ficará indelevelmente associado a mais uma machadada no já fraco prestígio da nossa democracia.
Fica desvendado, por outro lado, o mistério do "apoio" de Durão Barroso a Vitorino para a Presidência da Comissão Europeia: foi, desde o princípio, um falso apoio. Durão usou habilmente Vitorino como "lebre" para abrir caminho à sua própria candidatura.
Não é possível que esta estratégia não estivesse nos planos do partido popular europeu ou que, ao menos, não tenha amadurecido muito cedo. A conclusão e anúncio do processo careciam de algum tempo afastando, tanto quanto possível, o momento da decisão dos resultados desastrosos da coligação "Força Portugal". Assim ficaria esbatida a ideia de uma "fuga" de Durão Barroso. Foi o que aconteceu.
O PR, em fim de mandato, tudo fará para evitar a abertura declarada de uma crise política. Mas a crise política já está aberta, desde o dia 13 de Junho. Pode disfarçar-se a sua existência mas não se pode iludir a sua realidade.
A não realizações de eleições antecipadas dará origem ao apodrecimento da crise. Basta que diversos altos cargos políticos, que resultam de eleições, venham a ser ocupados por quem nunca se apresentou a sufrágio - em primeira linha - para exercer esses cargos. É uma questão elementar de legitimidade democrática para além dos meros formalismos de uma República de figuras de cera.
Mas se Durão Barroso vier a ser presidente da Comissão Europeia, abandonando as funções de primeiro-ministro, o país só ficaria a ganhar com a realização de eleições legislativas antecipadas.
Se a condição de Durão Barroso para aceitar o convite da presidente da Comissão Europeia for a não realização de eleições antecipadas, em Portugal, estamos conversados acerca da sua relação de confiança com o povo português e o eleitorado que nele votou nas anteriores eleições legislativas.
Qualquer outra alternativa poderá ser formalmente irrepreensível mas deixará a pairar no ar enormes dúvidas acerca da sua real legitimidade democrática. Se for desvendado o mistério e Durão Barroso vier a ser presidente da Comissão Europeia…a "remodelação do primeiro-ministro" deveria ser evitada através da devolução da palavra ao povo, já!
É que há uma enorme diferença entre um governo 100% remodelado e um governo 100% legitimado pelo voto popular.
Os senhores do futebol insistem em fazer-nos sofrer. Inventam "golos de ouro" e "golos de prata" que parecem especialmente concebidos para os jogos da selecção portuguesa.
Em 1984, quando Portugal chegou pela primeira vez a uma meia-final de um Campeonato da Europa, contra a França, o jogo foi para prolongamento, após 1 a 1 no tempo regulamentar. Na primeira parte do prolongamento Rui Jordão marcou para Portugal aos oito minutos. A seis minutos do final do prolongamento a França empatou e a apenas um minuto dos pontapés da marca de grande penalidade fez o 3 a 2 que arredou Portugal do sonho de chegar à final. Na altura não existiam "golos de ouro" ou "golos de prata" pois, se existissem, a vitória teria sido portuguesa, quer porque Portugal foi a primeira equipa a marcar no prolongamento (golo de ouro) quer porque também chegou ao final da primeira parte do prolongamento em vantagem (golo de prata).
Há quatro anos Portugal chegou novamente à meia-final do Campeonato da Europa e, mais uma vez, contra a França. O 1 a 1 no final dos noventa minutos repetiu-se e o prolongamento foi inevitável mas, desta vez, com a regra do "golo de ouro" a vigorar. Na primeira metade do tempo extra nada se alterou mas quando decorriam doze minutos da segunda parte do prolongamento o árbitro assinalou uma grande penalidade contra Portugal e Zidane concretizou o "golo de ouro" que nos arredou novamente da final. Se as regras fossem as de 1984 ou a do "golo de prata", aplicada este ano no Euro 2004, teríamos tido pelo menos três minutinhos para tentar inverter o resultado negativo.
Ontem, mais uma vez, jogámos um jogo a eliminar de um Campeonato da Europa e lá voltámos a repetir o 1 a 1 no final do tempo regulamentar. No prolongamento, tal como em 1984, fomos os primeiros a marcar mas, em apenas quatro anos, as regras voltaram a mudar. Se vigorasse o "golo de ouro", do Euro 2000, teríamos ganho o jogo no momento em que Rui Costa marcou o seu fabuloso golo. Mas não, agora o que conta é o "golo de prata" e lá tivemos que sofrer com o golo do empate inglês e com o suplício das grandes penalidades.
Consta que em futuras competições internacionais se irá regressar ao sistema que vigorava em 1984, esquecendo definitivamente os "golos de ouro" e os "golos de prata". Não tenho a certeza se será mesmo assim mas peço encarecidamente aos senhores da FIFA e da UEFA que se decidam de uma vez por todas: os corações portugueses já não aguentam muitas mais emoções como as que se viveram a noite passada...
O título foi atribuído pela Universidade de Saint Andrews, Escócia. O cantor norte-americano foi um dos 100 galardoados pela mais antiga universidade escocesa. Recebido por um coro de capela que cantou o seu sucesso "Blowing in the wind", Dylan foi agraciado pela contribuição para a cultura e consciência social do século XX.
Esta notícia, que muito me toca, faz-me voltar ao assunto da música. Numa sociedade com um desenvolvimento cultural médio os assuntos da música são, de facto, tratados como assuntos muito sérios. Não sou especialista mas, em Portugal, existem especialistas como, por exemplo, o Rui Vieira Nery que muito já tem dissertado acerca desta matéria.
A escola é o lugar, por excelência, da iniciação e educação musical. Este é um ponto que deveria ser assumido por qualquer programa político no capítulo da reforma da educação.
Existe, em Portugal, uma tradição e, mais importante, uma rede de agrupamentos de natureza associativa que cobre todo o país e que podia ser a inspiração para um projecto nacional de educação musical da juventude. Existem escolas de música e agrupamentos musicais (bandas filarmónicas e não só), maestros, músicos, instrumentos, organização e entusiasmo.
A escola pública está, na prática, afastada deste processo: não o integra, não o aproveita, não o desenvolve, não assume o desafio da educação musical. A comunidade está desinteressada da educação musical? Não creio. O Estado não dispõe de recursos financeiros e materiais? Já se fizeram as contas?
Bob Dylan é um ícone de várias gerações, a Escócia uma sociedade que preza as suas tradições e valoriza o papel da música. Trata-se, claro, de um acto simbólico. Hoje vi a notícia de uma ópera, anunciada em grandes parangonas, que se não realizou, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, pois os cantores italianos se recusaram, em cima da hora, a cantar sem antes receber o "cachet". Trata-se de um acto simbólico de sentido contrário.
Mas não fiquemos tristes pois na China estão referenciados 8 milhões de estudantes de piano (só neste instrumento!) e, destes, meio milhão deverão seguir a carreira profissional de pianista. Um pequeno detalhe para reflectir.
O CDS/PP reuniu a sua Comissão Política para analisar os resultados das eleições para o Parlamento Europeu e chegou à seguinte conclusão: mesmo que tivesse concorrido separado do seu parceiro de coligação o CDS/PP teria alcançado, sem margem para dúvidas, os mesmos dois deputados que conseguiu através das listas conjuntas com o PSD.
Não sei que instrumentos de análise terão sido utilizados pelos dirigentes do CDS/PP – particularmente pelo líder parlamentar Telmo Correia que revelou uma enorme convicção nas suas afirmações – mas, mesmo supondo que as percas dos dois partidos do Governo seriam proporcionais às sofridas pela coligação, tendo como referência os resultados alcançados pelos dois partidos nas eleições para o Parlamento Europeu de 1999, o partido de Paulo Portas correria o sério risco de perder o segundo deputado em favor do décimo terceiro do PS, como será fácil de verificar por quem se der ao trabalho de fazer os cálculos.
Se em lugar de proporcional aos resultados de há cinco anos o desgaste dos dois partidos da coligação fosse proporcional ao peso de cada um no Governo então o CDS/PP correria o sério risco de não eleger sequer um deputado.
O grau de urbanidade das cidades contemporâneas mede-se pela capacidade que elas possuem de permitir a mobilidade dos cidadãos, quer no seu interior quer para o exterior. Assim, qualquer política que actue no sentido de aumentar os fluxos, de os tornar mais céleres, mas também mais maleáveis, é bem-vinda. A gestão dos fixos e dos fluxos agiliza as cidades, torna-as mais ou menos habitáveis e, sobretudo, mais conviviais. Daí que desde há muito se imponha uma medida de integração dos bilhetes dos transportes colectivos urbanos e suburbanos que permita potencializar a mobilidade, aproximar espaços, levar os utentes a operar variações e ligações entre transportes com o mínimo de esforço e de custo. Hoje, porém, a notícia é outra: descobriu-se que a justiça ainda não tinha chegado aos transportes públicos e o ministro da tutela inventou esta coisa brilhante que é a “discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente”, tal como se anuncia na imprensa.
E pergunta-se: será esta uma forma encapotada de subir o preço dos passes sociais? Trocando por miúdos, que donos de Mercedes irão pagar a tarifa máxima convivendo fraternamente com aqueles que, por não possuírem automóvel, estão mesmo condenados aos passes sociais? Ou o Governo tem dúvidas sobre o leque de rendimentos dos utentes dos passes sociais?
Tanta demagogia e tamanha incompetência deprimem!
No outro dia resolvi mesmo parar. É que à súbita necessidade de tomar um apontamento acresceu o toque do telemóvel. Parei cuidadosamente. A rua era estreita e subi ligeiramente o passeio mordendo uma passadeira de peões. Rua das Janelas Verdes. À porta do Comando da Brigada de Trânsito. Um polícia solícito assomou ao vidro com ar de incredulidade. Expliquei. Tudo bem. Pode seguir. Segui.
A missão tinha fracassado. Nesse mesmo local tinha visto estacionado, uns dias antes, para meu espanto, um carro, todo artilhado, da própria B.T. "Em casa de ferreiro espeto de pau". O mesmo se passa com o meu filho que vai ter 1 (a nota máxima na escala da Escola Alemã) na disciplina de "Música" e eu não passei das velhas aulas de "canto coral" e dos primeiros acordes nas lições particulares de piano. É das melhores notícias do ano.
Parece um detalhe mas, para mim, não é. A música devia ser, desde muito cedo, disciplina obrigatória no ensino público. A música é uma das coisas raras do mundo parafraseando o que Camus disse a propósito do vento. Educa o gosto e estimula a aprendizagem das ciências. E ainda mais importante: enquanto a música toca está acesa a luz da esperança no futuro do homem.
Todos em geral e cada um em particular tem orgulho, tem brio na sua padaria, digo, a padaria do seu bairro, da sua rua, aquela que fabrica um pão inimitável, que recordamos com água na boca quando nos ausentamos do nosso cantinho e que nos faz sentir aquela inexplicável e tão portuguesa saudade (é que percorrendo outros países nos damos conta de quão diferentes são as outras padarias; daí o ditado: “cada qual tem o pão que merece”)! Sabem a importância do pão na formação das nossas mentalidades. O pão consegue ser ao mesmo tempo metáfora e metonímia do universo nacional. Os políticos apregoam que a educação é o “pão prá boca” da juventude; nós sabemos que os construtores civis são o “pão prá boca dos autarcas” e por aí fora. Mas o pão é ainda metonímia de outro qualquer alimento "o pão nosso de cada dia!". Assim constatamos quanta poesia existe no pão, para já não falar na sua diversidade lexical, da carcaça ao papo-seco (termo também muito usado para caracterizar saídas intempestivas, abandonos à má fila, e por aí fora).
Mas voltemos à minha padaria! A padaria do meu bairro é inconfundível, embora pertença, como disse, ao género bem nacional. Tem uma atmosfera alva, essa pureza que lhe dá o mármore antigo, só avivado pelas grades metálicas que sustentam a enorme variedade de pão. Mas não se fica por aqui a sedução que ela exerce sobre mim. Houve um tempo em que a minha padaria aliava a venda do pão a outros géneros (alimentícios, claro) que vão sempre bem com o dito, como seja, embalagens de óleo fula, garrafas de vinagre cristal, latas de feijão branco e frade e também de atum general que, discretamente arrumadas a um canto, serviam aquele cliente mais precisado, para já não nomear a clássica planta. De bolos, nem se fala: a minha padaria tem um exemplar de cada qualidade, fora os outros, os da véspera, já em tabuleiro devidamente separado. A montra exibe um cesto em plástico, forrado a guardanapo de papel, com biscoitos da categoria dos últimos bolos atrás mencionados.
Ao balcão, a padeira da minha padaria não se limita a servir clientes, que os fluxos não são sempre certos. Não, junto à máquina registadora, ela guarda ciosamente o seu livrinho de palavras cruzadas, que, como todos sabemos, aumenta o vocabulário dos portugueses, colocando os termos em contexto, dimensão que nem todos os dicionários fornecem.
À tarde, quando me dirijo à minha padaria, o meu coração está sempre suspenso desta incógnita: estará aberta? Porque nem sempre abre… Um dia, perguntei à padeira qual, afinal, o horário de abertura vespertina. Manifestando uma grande admiração, ela respondeu-me: Depende! Depende das sobras! Quer dizer que se o pão for todo vendido de manhã, será desnecessário abrir as portas à tarde. Assim se regula o mercado das ofertas e das procuras. Quem precisar de pão pode dirigir-se à loja de conveniência mais próxima! Já viram maior propriedade do que uma loja chamar-se de conveniência? Ela está lá no exacto ponto das nossas necessidades!
“Sempre à Coca” está afogado pela onda de patriotismo que varre o País. Coisa vagamente idêntica apenas ocorreu nos idos de 60 do século passado, com a perda de “território português” na Índia. O povo “vindo de todo o País” concentrou-se, então e salvo o erro, no Terreiro do Paço (naquele tempo o povo pouco mais ocupava do que aquele espaço…), para demonstrar “patriotismo” à criatura que então “conduzia os destinos da Nação”.
Hoje, felizmente, os tempos são outros, o patriotismo é democrático, exibe-se com Bandeira Nacional desfraldada no postigo de um casebre serrano, ainda sem saneamento básico, ou hasteada em requintado mastro lacado, estrategicamente colocado em elegante terraço da Quinta da Marinha, uma vez ouvido o conselho de um decorador diplomado, ou com fama e proveito adquiridos na “Caras”.
“Sempre à Coca” comunga, com convicção, do patriotismo que assola o País.
“Sempre à Coca” sabe que Figo, quando marca um golo fantástico, não esquece mais de 500 mil portugueses desempregados.
“Sempre à Coca” sabe que Fernando Couto, quando atentamente evita um golo, se interroga sobre o encerramento de mais de 800 escolas, nos últimos dois anos.
“Sempre à Coca” sabe que Cristiano Ronaldo, quando executa uma finta de pasmar, não ignora a existência de milhares de compatriotas que há anos aguardam uma intervenção cirúrgica, num qualquer hospital público.
“Sempre à Coca” sabe que Rui Costa, quando concretiza um passe certeiro, fica constrangido perante a miséria de quase dois milhões de idosos portugueses, que aguardam a morte em silenciosa e vergonhosa pobreza.
“Sempre à Coca” sabe que o “mágico” Deco, quando deixa para trás dois ou três adversários, pensa de imediato na falência fraudulenta de milhares de empresas, para engrandecimento de alegados “empresários” e desgraça da economia nacional.
“Sempre à Coca” sabe que Maniche (ou Manique?), quando “transforma” um livre quilométrico, pensa nas dezenas de milhar de processos judiciais que se arrastam anos e anos nos tribunais, transformando o exercício da legalidade num penoso acto de injustiça.
“Sempre à Coca” sabe, em suma, que a Selecção Nacional de Futebol está ao lado da Nação, nesta patriótica ânsia de vencer a Europa, com simples ou inauditos pontapés na bola.
Viva a Nossa Selecção!
Viva a Nossa Abébia!
Viva a Nossa Vadia!
Viva o Nosso Portugal!
Abébia vocês-não-merecem-a-sorte-que-têm, para a divisão instalada no Partido Socialista, menos de oito dias após a obtenção de um excelente resultado eleitoral.
Abébia “onde está o Wally”, para Eurico de Melo, “militante histórico” do PSD, “referência social-democrata”, que nem no Congresso apareceu. Vá lá saber-se porquê.
Podia ler-se no Público de ontem que “o secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica (OCI), Abdelwahed Belkeziz, denunciou o que definiu como o profundo atraso do mundo islâmico”. Estas notícias caem sempre bem quando os ânimos estão acesos e tanto se fala de guerra de culturas VS guerra de civilizações. É claro que a política desastrosa de Bush, aliada à política desastrosa de Sharon para isso muito contribuíram. É claro que o terrorismo é, a todos os títulos, condenável, embora fosse preciso aplicar uma grelha de análise mais fina, que permitisse distinguir entre o terrorismo gratuito e fundamentalista (talvez seja um paradoxo) do assim denominado terrorismo palestiniano que é manifestamente de outra ordem, parecendo-se mais com movimentos espontâneos e incontroláveis de guerrilha tendo por finalidade a defesa e apropriação de um território, a independência e a formação de um estado.
Mas a questão ainda não é essa. Para aqueles que, na Europa, criticam as posições do estado americano, e do estado israelita, que aproximação têm feito ao mundo árabe? Que diligências, que diálogo se tem procurado estabelecer? Que força poderia surgir de um encontro de ideias, de uma comunhão de pensamento que permitisse outras clivagens que não essa, já gasta, de Ocidente VS Mundo árabe? Estaremos adormecidos ao ritmo da América busheana? Quem ouviu o que, por exemplo, Amin Malouf tem para dizer? Não continuaremos a ser ainda e sempre, do alto da bem-aventurança de esquerda, eurocêntricos? Não seremos todos, antes de mais, cidadãos do mundo?
Agora observo curioso o rabiar da cauda da serpente esfacelada. As reacções dos representantes da direita (política, intelectual, mediática) à vitória do PS sugerem-me essa imagem que retenho da minha infância.
A serpente esfacelada, de cujos ovos falava Sousa Franco, balbucia palavras vazias de sentido. A sua cauda, separada do corpo, rabeia.
Mas atenção: a serpente ferida, no seu estertor desesperado, torna-se mais perigosa.
A notícia depreciava a situação em Portugal suprimindo qualquer informação acerca dos progressos, neste âmbito, realizados pelo nosso país. Nem de propósito publiquei um artigo no "Semanário Económico", no passado dia 9 de Junho, em que tento informar acerca da real situação portuguesa neste domínio.
Afirmo, a este propósito: "Em Portugal (Continente), 30% dos alunos do Ensino Secundário já frequentam cursos de ensino tecnológico e profissional. No ano lectivo de 2003/2004 frequentam o Ensino Secundário Regular 277.883 alunos; destes, 83.469 frequentam o ensino tecnológico e profissional, sendo que, deste universo, 31.702 frequentam as Escolas Profissionais.
O número de alunos, que frequentavam o ensino tecnológico e profissional, em 1989, era quase zero. A meta para 2010 é de 50%. Mas atingir os 30%, em 14 anos, é obra. Não sejamos masoquistas nem cedamos à tentação do "antes de nós o dilúvio"."
Alguns amigos, bem informados, disseram-me, com franqueza, que não faziam a mínima ideia acerca deste dado da situação do ensino secundário em Portugal. Nesta área, como em muitas outras, muito passos já foram dados no sentido de alcançar metas ambiciosas que colocam Portugal nos caminhos do progresso e da modernidade.
Os projectos estruturantes de desenvolvimento económico e social do país carecem de continuidade, coerência e persistência na sua implementação, afectação de recursos suficientes e, quantas vezes, significativos e de uma informação verdadeira e permanente à comunidade educativa e à sociedade no seu conjunto.
No caso do ensino profissional (ou educação profissional) têm sido asseguradas as condições essenciais dessas continuidade e coerência. Por isso, apesar das dificuldades e contradições, se vê uma luz ao fundo túnel.
O artigo, ainda não disponível na versão electrónica do "Semanário Económico", pode ser lido, em três partes, no absorto.
A abstenção andará em torno dos 61% - próxima dos níveis das eleições europeias de 1999 e inferior à que ocorreu, nas mesmas eleições, em 1994. O PSD e o PP coligados obterão um resultado de 33,2 - muito inferior ao somatório dos resultados dos dois partidos nas eleições de 1999.
O PS deverá atingir os 44,5%, o seu melhor resultado de sempre. A esquerda, no conjunto, vence folgadamente obtendo cerca de 58,6% dos votos expressos.
O que estes resultados provam e as suas consequências imediatas:
1) os portugueses estão muito descontentes com o governo;
2) as alternativas credíveis carecem de candidatos credíveis (caso de Sousa Franco);
3) o governo vai ser remodelado muito em breve, ou, menos provável, cairá por erosão dos fundamentos do acordo de coligação que o suporta;
4) o PS é a única alternativa credível de governo alternativo;
5) o regime democrático carece de um PS com capacidade para forjar, com autonomia, uma alternativa de governo realista e credível;
6) Ferro Rodrigues é candidato declarado à liderança do PS no próximo congresso do PS;
7) Ferro Rodrigues será, salvo qualquer acontecimento imprevisível, líder do PS para as próximas batalhas eleitorais: regionais, autárquicas, legislativas e presidenciais;
8) o PCP "aguenta" o seu eleitorado e o Bloco de Esquerda tende a crescer;
9) o que determina o sucesso das alternativas políticas não é o efeito de malabarismos de ocasião mas a persistência dos líderes na apresentação de projectos assentes em ideias claras e convicções fortes.
A partir do discurso de vitória desta noite é isso que a esquerda exige a Ferro Rodrigues: ideias claras e convicções fortes. O voto "de castigo" no governo é, ao mesmo tempo, um endosso de responsabilidades ao PS para forjar um projecto de governo alternativo capaz de assumir o poder, o mais tardar, em 2006.
O Euro 2004 está a apenas algumas horas do seu início. Depois de nos habituarmos a medir a distância, até ao arranque do Euro 2004, em anos, depois em meses, a seguir em semanas e mais recentemente em dias, chegou agora a vez de o fazermos apenas em horas.
Por todo o país esvoaçam milhares de bandeiras da República Portuguesa, numa demonstração de patriotismo nunca vista em Portugal. Muitos portugueses, que vivem neste momento uma fase pouco positiva das suas vidas, sentindo na pele a situação económica e social do país, foram levados a fazer dos bons resultados da selecção portuguesa de futebol a razão suprema da sua existência, durante as próximas três semanas. O que resta de capital de esperança, de auto-estima e de capacidade para enfrentar as adversidades, de milhares e milhares de portugueses, está neste momento depositado à guarda de uns quantos jogadores de futebol que compõem a selecção nacional.
Tal como o apostador que vai a um casino arriscar as suas poupanças, numa tentativa de tentar resolver os problemas da sua vida numa jogada de sorte, também os portugueses olham para os resultados da selecção como a razão quase última da sua existência. Numa altura em que a capacidade organizativa de Portugal poderia ser um justo motivo de orgulho – comparada, por exemplo, com as enormes dificuldades da Grécia em por de pé os próximos Jogos Olímpicos – preferimos deixar a nossa realização pessoal à mercê da bola que bate no poste ou do penálti que é, ou não, marcado.
Quando o primeiro jogo começar, o Portugal – Grécia, também eu estarei colado ao televisor torcendo pela vitória da equipa portuguesa. Mas recuso-me a perder a lucidez de saber que estou apenas perante um jogo de futebol e não face a um momento fundamental para a minha vida futura.
..."Fazemos por vezes como se as pessoas não se pudessem exprimir. Mas, de facto, não páram de se exprimir./.../ A estupidez nunca é muda nem cega. De tal maneira que o problema já não é fazer com que as pessoas se exprimam, mas de lhes proporcionar vávuolos de solidão e de sil~encio a partir dos quais pudessem ter enfim qualquer coisa a dizer".
..................................................................................Gilles Deleuze
Era um extraordinário candidato do PS na disputa das eleições europeias. Franco de nome como o meu pai. Franco de convicções como poucos. Um político de parte inteira. Podia não parecer eficaz pela sua imagem austera. Mas era um político fino. Lúcido e forte nas suas convicções e claro nas suas mensagens.
Era demasiado sério para a política portuguesa. Demasiado exigente para o nosso proverbial desleixo. Os adversários temiam o seu desabrimento. Quiseram pô-lo a falar mal do secretário-geral do PS mas ele saiu, com elevação, em sua defesa.
Quiseram pô-lo a falar mal de si próprio quando, no passado, exerceu as funções de Ministro das Finanças, mas ele defendeu a sua acção atacando, frontalmente, a hipocrisia dos seus adversários.
Sousa Franco disse, nesta campanha eleitoral, aquilo que os portugueses precisavam de ouvir: a actual maioria de governo defende os interesses dos poderosos, contra os interesses da maioria do povo. A actual maioria, afirmou, com uma ponta de ironia, faz o país andar para trás, a caminho do "Estado Novo".
Fizeram-lhe ataques miseráveis aos quais respondeu com firmeza. Combateu no terrreno político quando o quiseram arrastar para a lama do insulto pessoal.
Os portugueses não vão esquecer Sousa Franco.Espero que os seus adversários tenham uma iluminação de decência e não venham dizer que perderam as eleições porque Sousa Franco morreu.
Mal sabia eu que hoje diria de Sousa Franco o que ontem disse de Humberto Delgado: honra à sua memória.
É preciso chegar ao acontecimento sublime, a morte de Sousa Franco, para pôr termo à mediocridade de uma campanha e da forma de fazer política em geral.
Resta o silêncio e que nele se repense a cidadania.
O General Humberto Delgado atreveu-se a desafiar a ditadura.
A campanha eleitoral foi um momento de grande mobilização popular. O candidato do regime, Almirante Américo Tomáz, ganhou as eleições, como seria de esperar, mas o resultado nunca foi aceite pela oposição democrática.
Uma efeméride de que poucos se lembram. É pena. O General Humberto Delgado pagou caro a sua ousadia: foi assassinado pela polícia política da ditadura.
Honra à sua memória.
(Em simultâneo no absorto e na abébia vadia)
O Publico de hoje referia «CDS diverge de Deus Pinheiro sobre as ‘raízes cristãs’ ». É evidente que diverge; sobre esta e sobre muitas outras questões, bem mais importantes do que meras divergências pontuais e/ou sem interesse. O CDS procurou esconder a coisa, dizendo que era Eurocalmo. Um novo conceito, mas que ninguém compreende. João de Deus Pinheiro, em entrevista há dias ao Jornal de Notícias, esforçou-se, procurou explicar, dizendo que o conceito de Eurocalmo tem a ver com o facto de a Europa estar mais agradável (?!). “Europa agradável” … um conceito novo para (não) percebermos o que significa “Eurocalmo”…
Diverge sobre “as raízes cristãs”, porque ainda não aprendeu o que é a negociação europeia, porque não quer aceitar que a democracia europeia existe e faz-se no respeito da diferença, na procura de posições comuns.
Diverge, porque ….; diverge, porque … , diverge finalmente, na escolha de grupos parlamentares bem diferentes: um pró-europeu; outro anti-europeu!
“Sempre à Coca” está de volta, para saudar fervorosamente o nosso irmão brasileiro Roberto Medina, industrial da caridade que, nas horas vagas, organiza espectáculos musicais destinados à elevação da auto-estima de povos acocorados.
O País estava descrente, sem arrojo nem audácia, socialmente abúlico, politicamente abstinente, economicamente nas mãos da banca.
Medina chegou, diagnosticou e venceu, proporcionando à Nação o “Rock in Rio – Lisboa”, uma espécie de “Festa do Avante!” do “Bloco Central”, com “hambuguers” em vez de pézinhos de coentrada, com coca-cola em vez de tinto, com pacíficos lenços brancos em vez de aguerridas bandeiras vermelhas, com “Sala VIP” em vez de “Ponto de Encontro”, com discurso de presidente de câmara municipal em vez de “ponto da situação política” lido por secretário-geral.
Santana Lopes, candidato de oposição a Cavaco Silva, anunciou, na modalidade de presidente da CML, que em 2006, por acaso ano de eleições presidenciais, Medina estará de regresso, para soerguer de novo a alegria dos “irmãos” portugueses.
Saravá Medina, Portugal agradece e Lopes aproveita!
Continuemos a festa com o Euro 2004!
Saravá Deco, Portugal rejubila e uns quantos construtores civis agradecem!
Abébia de Ouro para Rui Rio que, em entrevista a um semanário, demonstra que também à direita se pode exercer política com dignidade.
Abébia “desculpe lá ó Sousa Franco, mas tenho que ganhar vida conforme posso”, para João de Deus Pinheiro.
A cabeça-de-lista da CDU, nas eleições para Parlamento Europeu, Ilda Figueiredo, foi entrevistada ontem, em directo, no Telejornal da RTP, por José Rodrigues dos Santos. Perante as inúmeras críticas à União Europeia, feitas pela candidata comunista, o entrevistador colocou a questão que se impunha: "Acredita com sinceridade que Portugal estava melhor antes da adesão à União Europeia?" Ilda Figueiredo torneou a pergunta e respondeu: "Não se trata disso. A nossa questão não é essa..." Mas Rodrigues dos Santos não desistiu: "Para si é absolutamente claro que Portugal tem de estar integrado na União Europeia?" Mais uma vez, a candidata comunista fugiu à pergunta: "Portugal está na União Europeia..." "E deve continuar, na sua opinião?", insistiu Rodrigues dos Santos. À terceira, Ilda Figueiredo engasgou-se durante um ou dois segundos mas retomou o que dizia anteriormente, ignorando novamente a questão.
A entrevista foi esclarecedora. Para os que pensavam que o percurso feito por Portugal na UE e, sobretudo, as profundas transformações positivas sofridas pelo nosso país, desde a adesão às comunidades europeias, tinham obrigado o Partido Comunista a rever a sua oposição à presença de Portugal na União Europeia, ficou claro que não é bem assim. Ou seja, não vale a pena ter ilusões: mesmo que não pareça, o PCP continua igual a si próprio.
Por isso a política é um universo cada vez mais reservado aos políticos profissionais. Um ringue no qual o pugilato atropela, quantas vezes, as regras elementares da convivência cidadã. O debate cede, vezes sem conta, o passo ao insulto. Mas também se toma, vezes sem conta, por insulto a verdade mais cristalina.
Sousa Franco tem dito, nesta campanha, as verdades que toda a esquerda tinha vontade de dizer mas que nunca disse de forma tão clara. A comunicação social desespera por uma boa polémica apimentada ou por um escândalo de fazer tremer o regime. Mas fica escandalizada pelas verdades que fogem ao figurino dos interesses "dos senhores do poder".
É sempre assim, dirão os cépticos, seja qual for o governo. Neste caso nem tanto. Olhem que o debate político eleitoral, que alguns consideram de "insultos", dificilmente poderia sobreviver ao insulto subliminar de uma campanha de spots "comerciais" (e não só) que estamos fartos de ver até à náusea.
Um deles, o da TMN, começa com um fundo em que se lê distintamente "Força Portugal". Seguem-se um conjunto de imagens com ressonâncias futebolísticas. Já não falo do cachecol…A canção oficial do Euro-2004, cantada pela Nelly Furtado, chama-se "Força".
Não se trata de publicidade às eleições europeias. Antes fosse. Nem à coligação "Força Portugal". Não podia ser, pois a lei não permite. Esses spots são publicidade ao Euro-2004. A campanha do Euro-2004 e da coligação "Força Portugal" são uma colagem infame. E essa colagem vai intensificar-se até ao dia 12 de Junho.
É triste que ninguém tenha tido a coragem de impor regras de igualdade nesta campanha eleitoral. É a mais completa impunidade dos "chicos espertos". Espero que lhes saia o "tiro pela culatra"!
Num discurso perante mil cadetes da força-aérea norte-americana, George W. Bush voltou a insistir na relação directa entre o 11 de Setembro e a intervenção no Iraque. Conseguiu, inclusivamente, estabelecer uma comparação entre o motivo que levou os norte-americanos a entrar na II Guerra Mundial, o ataque a Pearl Harbor, e o que terá levado à guerra no Iraque, o 11 de Setembro, ou seja, dois ataques de que os Estados Unidos da América foram vítimas.
A completa falsidade da relação causal 11 de Setembro/Guerra no Iraque e as verdadeiras motivações da intervenção militar são talvez o melhor exemplo de como a consulta ao sítio na Internet do "Project for the New American Century", referido no meu "post" anterior, pode ser esclarecedora. A opção de atacar o Iraque, para afastar Saddam Hussein do poder, era uma clara obsessão de política externa da extrema-direita norte-americana, muito anterior à eleição de George W. Bush, que apenas necessitou de aguardar pela ascensão à presidência de um dos seus para se concretizar.
A 26 de Janeiro de 1998 – mais de três anos e meio antes do 11 de Setembro – 18 membros do "Project for the New American Century", entre os quais Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz, dirigiram uma carta ao então presidente, Bill Clinton, sobre o Iraque. Nessa carta, os subscritores referiam o "discurso do estado da união", que Bill Clinton iria proferir dentro de pouco tempo, como uma oportunidade para o presidente democrata mudar o rumo da sua política externa, fazendo do afastamento de Saddam Hussein do poder o principal objectivo: "We urge you to seize that opportunity, and to enunciate a new strategy that would secure the interests of the U.S. and our friends and allies around the world. That strategy should aim, above all, at the removal of Saddam Hussein’s regime from power".
Embora referissem o risco do Iraque possuir armas químicas ou biológicas, os subscritores reconheciam expressamente a quase impossibilidade de confirmar a sua produção: "...experience has shown that it is difficult if not impossible to monitor Iraq’s chemical and biological weapons production". Assumiam mesmo que, num prazo não muito distante, seria completamente impossível confirmar a existência, ou não, dessas armas: "...in the not-too-distant future we will be unable to determine with any reasonable level of confidence whether Iraq does or does not possess such weapons".
A alternativa era, portanto, a guerra preventiva, garantindo, por essa via, que nunca se correria o risco de Saddam usar as suas armas químicas e biológicas, independentemente de as possuir ou não: "In the near term, this means a willingness to undertake military action as diplomacy is clearly failing. In the long term, it means removing Saddam Hussein and his regime from power. That now needs to become the aim of American foreign policy". O que Clinton deveria fazer parecia, portanto, óbvio: "We urge you to articulate this aim, and to turn your Administration's attention to implementing a strategy for removing Saddam's regime from power".
Para quem ainda hoje discute a opção dos norte-americanos de atacar o Iraque à margem das resoluções das Nações Unidas fica igualmente evidente que esse era um cenário há muito previsto: "We believe the U.S. has the authority under existing UN resolutions to take the necessary steps, including military steps, to protect our vital interests in the Gulf. In any case, American policy cannot continue to be crippled by a misguided insistence on unanimity in the UN Security Council".
Em suma, era claro, já no início de 1998, que um ataque ao Iraque era a prioridade número um da agenda de política externa da extrema-direita norte-americana. Já nessa altura, Rumsfeld e Wolfowitz sabiam ser impossível ter certezas sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque. No entanto, isso não os impediu, cinco anos mais tarde, de organizar toda a argumentação para o início da guerra em torno da comprovada existência desse mesmo tipo de armas. Da mesma forma, o desprezo pelas resoluções das Nações Unidas era já uma opção política assumida.
Quem ainda acreditava que o ataque norte-americano ao Iraque nasceu como retaliação pelas ligações de Saddam Hussein aos terroristas que perpetraram o 11 de Setembro, e que o principal objectivo era o de proporcionar um regime democrático aos iraquianos, ficará certamente um pouco mais esclarecido sobre os reais motivos que moveram os senhores de Washington.
Existe nos Estados Unidos da América uma interessante organização, que muitos europeus parecem desconhecer, designada "Project for the New American Century". Como o seu "chairman", William Kristol, explica num pequeno texto introdutório, no sítio da organização na Internet, o projecto para o Novo Século Americano baseia-se em algumas convicções fundamentais, nomeadamente em que "a liderança americana é boa para a América e para o mundo; em que essa liderança necessita de capacidade militar forte, energia diplomática e empenho nos princípios morais; e em que, nos nossos dias, poucos líderes políticos estão empenhados numa liderança global".
As crenças sobre o que deve reger o destino da América e do mundo, promovidas pelo "Project for the New American Century", não teriam nenhuma relevância em particular se não reparássemos nos nomes de alguns dos 25 subscritores da sua Declaração de Princípios, datada de 3 de Junho de 1997. Entre vários nomes de primeira linha da direita americana, encontramos aqueles que serão, muito provavelmente, os três nomes mais relevantes na definição da presente política externa norte-americana, logo após o próprio presidente George W. Bush: Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz.
Percorrendo o sítio na Internet do "Project for the New American Century" confirmamos aquilo que a pequena introdução do seu "chairman" já fazia suspeitar: estamos perante a máquina que produz – ou que, pelo menos, torna visível – o fundamental do pensamento de extrema-direita nos Estados Unidos da América, nos campos da defesa, da segurança nacional e da política externa.
Aconselho a leitura de alguns dos documentos produzidos por esta organização e pelos seus membros individualmente, em especial os que se referem ao período em que Bill Clinton ainda era presidente. Esta recomendação é particularmente dirigida a quem ainda alimenta ilusões sobre as motivações da administração Bush nas suas polémicas opções de política externa. Descobrirão facilmente, por exemplo, que é mínima a relação causal entre o 11 de Setembro e o fundamental da política belicista presentemente prosseguida por Bush, Cheney, Rumsfeld, Wolfowitz e companhia.
Tudo o que possa acontecer de bom para o futebol português, ao nível de clubes e de selecção, é bom para mim. Logo, na minha visão "distorcida", bom para os portugueses e para o progresso do país. Parece uma visão um bocado redutora, não é? Não há volta a dar.
Por isso compreendo o projecto do Euro-2004 uma das "pesadas heranças" deste governo. O futebol é uma "fileira" da actividade económica em que Portugal é competitivo. No futebol Portugal gera talentos e tem organização. Ganha no cotejo com muitos outros países com mais elevados padrões de desenvolvimento. Dizem alguns: "terceiro mundo". Bom, mas não se pode ser "terceiro mundo" naquilo em que somos maus e "terceiro mundo" naquilo em que somos bons.
Ora vejam só o dia de ontem: selecção nacional de sub-21 - vitória (2-1) contra a Alemanha (na Alemanha), com hipóteses de apuramento para os Jogos Olímpicos; selecção nacional (julgo, de sub-20) - vitória (1-0) contra o Brasil (isso mesmo o Brasil!) no Torneio de Toulon e vitória do Farense contra o F.C. Porto (1-0) na fase final do campeonato nacional de iniciados. Aqui o Farense (o meu verdadeiro clube do coração) emparelha com o Sporting, Boavista e F.C. Porto…e ganha.
Estás a ver José Rebelo como se explicam as bandeiras nacionais que os taxistas desfraldaram. Eu por mim trago sempre uma bandeira desfraldada no meu coração quando está em causa o resultado da minha equipa predilecta. No caso do Euro-2004, a selecção.
O resto é meter golos na própria baliza…
A coisa começou por ser imperceptível, quer dizer, apercebia-se mas não suscitava qualquer interrogação. Lombriga comprida, a coisa tomava forma. Assim parecida com aquelas trincheiras da I Guerra Mundial feitas de sacos de areia empilhados, a coisa crescia no sentido longitudinal; não que se parecesse com o muro-de-berlim, não chegou a tanto, mas intrigava. Com o andar dos meses, a coisa estendeu-se e enrolou-se numa espécie de espiral estreita, ladeada por corrimões em aço, agora mais parecida com uma mega prancha para mergulhos no vazio – para sentir a insustentável leveza do corpo –? ou uma plataforma para ovnis? ou um excêntrico helioporto? A coisa agora parou e deixou de intrigar, passou a inquietar mesmo… Para mais, ocupando um terreno que Santana Lopes, na determinação do seu início de mandato (lembram-se?), havia mandado terraplanar por ser a entrada nobre de Lisboa. É que existia, em construção no local, um edifício de renda económica que punha os nervos do recém chegado à direcção da autarquia em franja. Agora, o enigma instalou-se; ou serei eu a única pessoa a não saber do que se trata?
Já tínhamos o sanitário do Almada, do outro lado! Chegava.
A coisa situa-se na descida das Amoreiras para o Viaduto Duarte Pacheco, à direita, depois da bomba de gasolina GALP. Aceitam-se informações, esclarecimentos ou palpites. Espero com ansiedade resposta ao enigma.
Sempre me intrigou esta displicência dos portugueses relativamente aos símbolos nacionais. Raros são os que conhecem a letra do hino. Mais raros ainda os que conhecem o significado da iconografia da bandeira cujas cores suscitam, genérica e imediatamente, o qualificativo de foleiras. É de bom tom desvalorizar a condecoração que se recebe e as respectivas insígnias são recatadamente esquecidas no interior de um qualquer estojo. Usá-las? Que parolice...
Influenciado que sou pelas práticas sociais e culturais francesas, dou constantemente comigo a fazer comparações. E verifico o orgulho com que o francês entoa a Marselhesa. Porta a faixa que indica a sua condição de eleito. Usa, no quotidiano, a roseta vermelha da Legião de Honra. Enverga uma "T-shirt" tricolor. Faz do dia nacional uma festa popular.
Porquê tal diferença? Será que os portugueses associam os símbolos nacionais ao salazarismo?
Eis uma explicação que não me satisfaz. Com efeito, a displicência referida está socialmente massificada. E o mesmo não sucede, por mais que isso nos doa, com a rejeição do salazarismo.
A explicação deste aparente desapego é mais profunda. Descobri-la, permitir-nos-ia, talvez, compreender melhor alguns dos episódios mais relevantes da nossa história.
Porquê todo este relambório? Porque fui surpreendido com o número de táxis que, em vésperas do Euro 2004, circulam com uma bandeirinha portuguesa. O que provocou em mim uma sensação mista de ridículo e de incómodo.
Ora eu até gosto de futebol. E acho que urge elevar a auto-estima da lusa gente.
Mas não escapo a esta reacção à portuguesa. Que, ao fim e ao cabo, não sei se criticar se elogiar.
Na Alemanha, a CDU-CSU aparece com 49% das intenções de voto, contra 25% do SPD e 11% dos Verdes. Em França, o PSF aparece com 28% dos votos, enquanto a UMP (do Presidente Chirac) se fica pelos 20%, a Front National com 12% e a UDF com 10%. No Reino Unido, os Conservadores recolhem 30% das intenções de voto; o Partido Trabalhista de Blair fica-se pelos 23% e o Partido Liberal por 20%.
Já em Espanha, o PSOE aparece com 48% dos votos, ficando-se o PP em 37%.
O voto é uma expressão de vontade, de satisfação ou de insatisfação… Também por isso, procurar separar as políticas europeias das políticas nacionais – agora discutem-se as políticas europeias, não se discutem as nacionais … - é um absurdo!
Ontem, mais uma vez, terá sido feita Justiça. Uma Justiça apesar de tudo transitória e arrastada no tempo, como parece estar condenada a ser toda a Justiça, pelo menos em Portugal. Uma Justiça sempre pendente de recursos ou de julgamentos a realizar, passíveis, também eles, de outros recursos.
Mas há um ano e tal também se pensava estar a ser feita Justiça, quando, uma após outra, várias pessoas – umas muito mediáticas, outras nem tanto – foram sendo enviadas para prisão preventiva, sob a suspeita de terem cometido crimes horríveis. Ontem, não só se julgou desnecessária a prisão preventiva de qualquer dos arguidos como se ilibou completamente um dos que a ela estivera sujeito, ao longo de vários meses. Há um ano e tal o juiz chamava-se Rui Teixeira. Ontem o juiz chamava-se Ana Teixeira e Silva.
Para quem espera da Justiça algum rigor e alguma equidade, decorrente da letra lei, as decisões de há mais de um ano confrontadas com as de ontem provocam, no mínimo, um arrepio. Um arrepio gerado pela inevitável suspeita de que toda esta história poderia ser bem diferente se há um ano e tal o juiz se chamasse Ana Teixeira e Silva e ontem Rui Teixeira.